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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Retomando as rédeas da sua vida em 2017


“A esperança é o sonho do homem acordado”.

Aristóteles - Filósofo Grego

“As noites mais escuras produzem as estrelas mais brilhantes”

Anônima

Artigo escrito e postado originalmente por Gutemberg B. de Macê:

O Ano de 2016 foi um dos mais tenebrosos de nossa história republicana e também marcado por uma série de problemas jamais vistos – escândalos de corrupção que expressaram a podridão política intestina dominante nos poderes executivo e legislativo; uma onda de desemprego que expulsou das organizações cerca de 12 milhões de pessoas; o declínio vergonhoso de nosso sistema educacional – O Brasil passou a ocupar 63° posição entre 70 nações do globo; a onda de descrença alarmante dos indivíduos em suas lideranças e instituições inclusive religiosas; o declínio de nossa produtividade e da falta de competitividade de seus produtos.

São nos períodos de grandes e graves incertezas, descrenças e “despair” que temos de sonhar grande, renovar as nossas esperanças e reconstruir as nossas vidas e carreiras de maneira firme, audaciosa, segura e autoconfiante.

FUNDAMENTOS DO “PERSONAL BUSINESS PLAN 2017”

O “Personal Business Plan 2017” se alicerça sobre três pilares:

1o. A valorização do dia de hoje

Não importa até onde você tenha trilhado o caminho na direção errada, menosprezado ou subestimado a importância de seu autodesenvolvimento, valorizado o TER e o REPRESENTAR, em detrimento do SER e, entre tantas outras coisas, procrastinado ações e decisões que eram importantes para seu crescimento e desenvolvimento. Não tenha medo de reconhecer, em que ponto e onde errou. Não despreze as oportunidades, mesmo quando elas não são nitidamente percebidas.

Seja humilde. Volte, se necessário, e comece tudo de novo. Afinal, cada dia começa sempre com nova aurora. Portanto, crie diariamente em sua vida uma nova aurora. Não diga que não tem tempo para criá-la. Comece agora mesmo. Lembre-se do sábio conselho: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.” (Rom. 12,1).

Diariamente, nos deparamos com profissionais que, confrontados com suas vulnerabilidades pessoais e profissionais, consideram não ter mais tempo para empreenderem na própria vida e carreira, as mudanças de que necessitam para um progresso contínuo.

Na verdade, eles não temem tanto as mudanças em si, mas o sofrimento que elas produzem – eles, conscientemente, não sabem que precisam sair da zona de conforto e caminhar por trilhas jamais percorridas. Entretanto, resistem fazer as mudanças e tirar proveito das oportunidades que poderão torná-los homens melhores e profissionais mais eficazes.

Há um conto turco, que ilustra essa argumentação. Um homem, desprovido de talento e sucesso, decide, se existe algo em sua vida que deva fazer, viajar para encontrar o Destino que lhe dirá como solucionar seus problemas. Imediatamente, inicia a caminhada. Ao final do primeiro dia, encontra um lobo na estrada.

O lobo, pergunta-lhe: “Para onde você vai, andarilho?”.

O viajante responde: “Eu procuro o Destino que me revelará como solucionar os problemas que têm me atormentado a vida inteira.”.

“O Destino é sábio,” disse o lobo, “quando você o encontrar, diga que durante anos venho sofrendo de uma dor de cabeça, aparentemente, incurável. 

Pergunte-lhe como poderei me libertar dessa dor que me infelicita e atormenta.”.

O viajante compromete-se a atendê-lo e continua a viagem. Sagazmente, o lobo decide segui-lo, mantendo cautelosa distância.

Ao chegar a uma pequena cidade, onde deveria pernoitar, o viajante depara-se com um guarda noturno, que o aborda e indaga: “Para onde você vai?”.

“Estou à procura do Destino que me ensinará como conquistar um emprego que me proporcione sucesso e não o fracasso e o desespero decorrente do anterior.”

O vigia confessa ao viajante que ele também se sente vítima do infortúnio. Afinal, não teve sorte profissionalmente e, além de trabalhar longas e exaustivas horas, noite a dentro não foi suficientemente capaz de obter ganhos significativos. “Irmão”, prosseguiu o vigia, “quando você encontrar o Destino, pergunte-lhe, por gentileza, como posso conseguir as coisas que sempre desejei, mas, em verdade, nunca me senti capaz de conquistá-las”.

Mostrando-se simpático à solicitação de seu interlocutor, o viajante repousa à noite em uma pequena hospedaria e, no dia seguinte, prossegue estrada a fora. Chega à margem de um rio de águas profundas e correntes. Cansado, sacia a sede e depara-se com um peixe que o saúda e lhe pergunta para onde está indo. Ele repete a mesma história e o peixe, em resposta, lhe confessa: “Durante toda a minha vida, jamais consegui fechar a boca. Prometa-me perguntar ao Destino, assim que o encontrar, como poderei mantê-la fechada e eu, alegremente, o carregarei até a outra margem do rio.” Agradecido, o viajante concorda com o pedido e o peixe o transporta até o outro lado do rio.

O viajante, finalmente, chega à casa do Destino e o encontra girando inúmeras engrenagens. Cumprimenta-o e se apressa em expor-lhe suas angústias, a incapacidade de satisfazer as próprias necessidades e sua falta de talento. O Destino gira a Roda da Fortuna e pergunta ao visitante: “Bom homem, durante a jornada, você encontrou outras pessoas, que também precisam de meu auxílio?” O viajante lembra-se, então, das solicitações do lobo, do vigia e do peixe e, meticulosamente, as descreve ao Destino.

Com objetividade e clareza, o Destino responde: “Para o lobo, só há um remédio. Ele deve devorar a cabeça do homem mais estúpido do reino e sua dor de cabeça cessará para sempre. Quanto ao peixe ele só poderá fechar a boca, se você ajudá-lo a remover duas pedras preciosas nela instaladas. O vigia também precisa de sua ajuda para cavar no canto noroeste do muro que lhe cerca a casa, onde estão enterrados dois jarros cheios de ouro.”

Ao retornar para casa, o viajante encontra, novamente, o peixe que o conduzira até a outra margem do rio. Abrindo-lhe a boca, remove duas lindas e valiosas esmeraldas. “Obrigado,” diz-lhe peixe. “você pode ficar com as pedras, pois são esmeraldas legítimas e têm grande valor comercial”.

O viajante agradece, mas recusa o presente, dizendo: “Eu não preciso de pedras.” E atirando-as nas águas do rio, acrescenta: “O Destino girou a Roda da Fortuna também para mim”.

Prosseguindo a caminhada, o viajante reencontra o vigia e lhe fala sobre os jarros de ouro. Sem pestanejar, eles começam a cavar no lugar indicado pelo Destino. Ao encontrá-los, o vigia agradecido, oferece ao viajante a metade do ouro, mas ele recusa a oferta, afirmando que o Destino já havia girado a Roda da Fortuna a seu favor.

Finalmente, o viajante encontra o lobo que, ansioso, aguardava pelo desfecho da viagem e por uma solução para sua crônica dor-de-cabeça. Atento ele ouve a recomendação do Destino revelada pelo viajante: deveria devorar a cabeça do homem mais idiota do reino.

Excitado, o lobo pergunta com grande interesse: “O Destino lhe disse como vou conhecer esse homem?”.

O viajante, meio confuso, admite que se esqueceu de fazer essa pergunta. O lobo, então, sem perda de tempo salta sobre o viajante, domina-o e adverte: “Você jogou fora as esmeraldas alojadas na boca do peixe, recusou a metade do ouro dos jarros desenterrados, tudo porque o Destino havia girado a Roda da Fortuna a seu favor. Vejo que você não entendeu a resposta do Destino. Desperdiçou as oportunidades. Ninguém pode ser mais imbecil no mundo do que você!” E sem pensar duas vezes, devorou a cabeça do viajante, curando a dor-de-cabeça que tanto o atormentava.

As nossas oportunidades estão sempre diante de todos nós, neste instante e não no futuro. Aqueles que as guardam e esperam que ocorram apenas amanhã sofrerão revezes e frustrações.

2o. Harmonia e Crescimento

“O Personal Business Plan 2017” deve ser um plano elaborado e dirigido à harmonia e ao crescimento pessoal, em todas as suas dimensões – física, psíquico-emocional, mental, intelectual, espiritual, social, familiar – e não simplesmente à acumulação de bens materiais – promoções, benefícios, reajustes salariais, recursos financeiros, poder hierárquico, status social –, apesar de sua respectiva importância.

A felicidade, a prática do amor e a busca da paz de consciência devem fazer parte intrínseca desse plano. Afinal, de que vale todo o sucesso material de um profissional, se ele não consegue viver e trabalhar, a não ser com a ajuda de psicanalista? Que valor tem o sucesso à custa de noites de insônia e preocupações estressantes, para alguém que ao se levantar toda manhã, tem de ingerir uma dezena de comprimidos para se manter ativo? Que sentido tem a vida para quem não consegue amar e ser amado pelo cônjuge, filhos, colegas e profissionais com que se relaciona? Que valor tem o trabalho se ele não é uma fonte diária de prazer e auto realização? Que valor tem o trabalho se ele não beneficia outras pessoas e a sociedade em geral?

Infelizmente, em inúmeras organizações, muitos gestores vão se tornando rapidamente esquizofrênicos e intratáveis. E acrescento uma agravante: eles não percebem o nível de desarmonia a que estão submetidos, como disse Roy Neel, ex-chefe adjunto do Estado Maior do presidente Bill Clinton, obrigado a portar um “Pager” 24 horas por dia, segundo a revista Newsweek: “Elogiamos as pessoas que desejam equilíbrio em suas vidas, mas recompensamos aquelas que se matam de trabalhar.” (Newsweek, 6/3/1995).

Quando profissionais correm sem parar, podem facilmente se perder. Isso se explica: eles estão ligados no piloto automático 24 horas por dia e não percebem que se afastam velozmente de seus objetivos.

Nesse ambiente, o único objetivo que conta é a busca do bem-estar material. A propalada e ambicionada “prosperidade individual,” desde os mais remotos dias da industrialização nascente no século XVIII, tem sido exclusivamente o sucesso econômico-material, o consumismo desenfreado, a beleza e o prazer físico, em detrimento de outras dimensões mais profundas da vida como, por exemplo: a amizade honesta e sincera; o amor, destituído de interesses pessoais menores; o altruísmo e a solidariedade que sublimam a vida de homens e mulheres e das instituições por eles mantidas; a compreensão que facilita a convivência pacífica da vida em sociedade, entre outros sentimentos.

3o. Deus é a fonte de toda a sabedoria, abundância, prosperidade, energia, saúde, poder e vida

É sabido e reconhecido que o obscurecimento do sentido de Deus na vida de muitos profissionais em nossos dias os tem conduzido ao materialismo. E este gera o individualismo exacerbado, o utilitarismo destituído de qualquer responsabilidade ética e o hedonismo destrutivo de valores sadios.

Nesse ambiente, o único objetivo que conta é a busca do bem-estar material. A propalada e ambicionada “prosperidade individual,” desde os mais remotos dias da industrialização nascente no século XVIII, tem sido exclusivamente o sucesso econômico-material, o consumismo desenfreado, a beleza e o prazer físico, em detrimento de outras dimensões mais profundas da vida como, por exemplo: a amizade honesta e sincera; o amor, destituído de interesses pessoais menores; o altruísmo e a solidariedade que sublimam a vida de homens e mulheres e das instituições por eles mantidas; a compreensão que facilita a convivência pacífica da vida em sociedade, entre outros sentimentos.

O papa João Paulo II, em Redemptor Hominis, 10, observou: “O homem não pode viver sem amor. Torna-se um ser incompreensível para si mesmo, sua vida fica sem sentido, se não tiver a revelação do amor, se não experimentá-lo e torná-lo seu, se não participar dele intimamente”.

Ciro, o grande imperador medo-persa, referiu-se em certa ocasião, (cerca de 600 anos a.C.), a um conselho recebido do pai: “Quem dirige suas preces aos deuses, como também aos homens, mais facilmente ganha os efeitos de sua benevolência suplicando no tempo da prosperidade, do que adulando na adversidade….” (Xenofonte, “Ciropedia – A Educação de Ciro”, pág. 51). 

COMPONENTES DO “PERSONAL BUSINESS PLAN 2017”

Os seguintes elementos devem fazer parte integrante de seu “Personal Business Plan 2017:”

1o. Análise compreensiva de sua situação pessoal até o presente

Nesse exame crítico, é de fundamental importância ter em mente que nada poderá ficar de fora – erros e acertos, sucessos e fracassos, oportunidades aproveitadas e desperdiçadas, estratégias eficazes e ineficazes, estilo e filosofia de vida, etc.

As perguntas, a seguir apresentadas, podem ajudar, e muito, aquele que estiver determinado a completar o exercício de auto-exame com sabedoria e isenção.
  • Quais foram as atividades empreendidas com sucesso no último ano?
  • Que decisões tomou que redundaram em fracasso, decepção e frustração?
  • Quais são seus pontos fortes, vulnerabilidades, ameaças e oportunidades – enumere-os sem medo, sem sentimento de culpa ou vergonha. Se você não os identificar, como saberá que necessita agir sobre eles?
  • Seu estilo de vida é compatível com seus ganhos?
  • Sua formação acadêmica e nível de conhecimento são compatíveis com as exigências de mercado?
  • De que maneira se preparou em 2016, a fim de se tornar melhor e mais competitivo em 2017?
  • Quais os maiores erros praticados no último ano em seu atual emprego e como pretende corrigi-los (se pretende)?
  • O que o frustra no trabalho atual?
  • Que aspectos de seu trabalho você precisa melhorar?
  • Que nível de satisfação você obtém no seu trabalho atual?
  • Se você pudesse mudar algo em seu emprego o que mudaria?
  • Como você avalia seu desempenho no último ano – 2016?
  • No ambiente familiar – o que precisa melhorar?
Lembre-se de que regras, comumente aplicadas aos exércitos e as organizações podem ser aplicadas à própria vida e carreira – “measurement, assessment, calculation, comparison e victory”.

A esse propósito, as palavras do general chinês, Jia Lin, revelam plena adequação: “If you set forth battle lines and lightly advance without knowing your own condition or that of your opponent, you may be seeking victory, but in the end you defeat yourself.” Ou ainda as palavras, mundialmente, conhecidas do General e Mestre Sun: “So it is said that if you know others and know yourself, you will not be imperiled in a hundred battles; if you not know others but know yourself, you win one and lose one; if you do not know others and do not know yourself, you will be imperiled in every single battle.” (Thomas Clearly, “Classics of Strategy and Counsel, vol. I, págs. 95 e 85).

2o. Criação de visão própria e única, de vida e carreira

Se você não sabe para onde está indo, como poderá saber que está caminhando na direção certa?

A visão é uma fotografia ideal do futuro que se deseja construir. Portanto, nessa fase é fundamental que você consulte o próprio coração e pergunte a si mesmo se realmente deseja passar mais um ano na empresa em que trabalha, se suas habilidades, competências e talentos são adequadas à visão que projeta para o futuro, se está verdadeiramente empreendendo as atividades a que sempre aspirou, se o trabalho que executa o satisfaz plenamente, se o ambiente em que convive é o lugar ideal, se sua carreira está cheia de desafios, se as ações projetadas para os próximos 12 meses enchem o coração e a alma de paixão, etc.

As respostas a essas e outras perguntas, poderão fazer a diferença que lhe permitirá alcançar o que há muito tem procurado.

Todavia, cuidado ao encontrar as respostas aos dilemas postos pela própria vida ou carreira profissional, para não se comportar como o viajante que teve a cabeça devorada pelo lobo.

Sugiro que reflita sobre as seguintes perguntas:
  • Que visão futura tem de sua vida e carreira?
  • Que sonhos alimentou em passado recente e que não realizou? Por quê? Quais as consequências?
  • Sua visão é realista ou mero sonho de noite de verão?
  • Você está disposto a pagar o preço exigido para realizar os próprios sonhos?
  • Quem o poderá ajudar a conquistar o mais recente sonho?
  • Com que recursos – físicos, materiais e espirituais pode contar para mudar seu futuro que começa agora?
Recomendo, ainda, que pense sobre as palavras de Bhagavad Gita: “It is better to follow your own life’s mission however imperfectly, than to assume the life’s mission of another person, however successfully.”

3o. Identificação de princípios e valores inegociáveis que não podem ser sacrificados qualquer que seja o preço

Todos nós temos um sistema de valores que formam nosso caráter. Não raro, eles nos são transmitidos, desde o berço até a idade adulta. Além disso, temos uma série de princípios que norteiam a vida, a carreira e os negócios. Esses princípios e sistemas de valores são fundamentais. Sem eles, nossa vida e carreira se tornariam verdadeiras birutas movidas aleatoriamente pela direção do vento. Quando vivemos de acordo com esses valores, a vida se torna mais simples e plausível. Além disso, fica mais fácil viver com integridade, satisfação pessoal e auto-realização. Em contra-partida, quando violamos esse sistema de valores, perdemos a própria integridade e manchamos o caráter.

Uma das histórias que ilustram a importância de um sistema de valores na vida de uma pessoa pode ser extraída do seguinte dialogo: Madre Tereza de Calcutá, recebeu certa ocasião a visita de um renomado estadista. Ele ficou admirado diante de sua dedicação aos pobres, doentes e inválidos da Índia. Ao vê-la limpar as feridas fétidas de um pobre mendigo estendido em uma sarjeta, exclamou: “Madre Tereza, eu não faria esse trabalho por nenhum dinheiro do mundo.” A frágil mulher respondeu-lhe sem titubear: “Eu também não. E essa é a razão por que estou agindo”.

Portanto, ao trabalhar na identificação de princípios e valores que direcionam sua vida e carreira, pergunte a si mesmo:
  • Quais são os princípios e valores que norteiam minha vida, carreira e decisões empresariais?
  • Quais desses princípios e valores são os mais importantes?
  • Quais deles não estaria disposto a sacrificar, mesmo tendo de pagar um alto preço, como por exemplo: pedir demissão, recusar-me a fazer um trabalho sujo, compactuando com a empresa (oferecer ou transportar pacotes de propina, falsificar produtos ou documentos, demitir um profissional competente, simplesmente por que seu superior não gosta dele, etc.)?
  • Que importância você atribui aos valores éticos e morais?
Mantenha em mente a determinação de fazer corretamente aquelas coisas em que acredita. Evite seguir aqueles que não exibem em sua vida e ações valores como integridade, humanidade, coerência, respeito ao semelhante, etc. Essa disposição é a força que nos movimenta em busca de um ideal superior a nós mesmos.

4o. Descrição da própria Missão de Vida

A descrição de nossa missão tem como objetivo principal explicar por que fazemos o que fazemos.

A importância de uma missão claramente definida pode ser compreendida à luz das palavras proferidas pelo reverendo Martin Luther King, Jr., em um de seus sermões: “People are often led to causes and often become committed to great ideas through persons who personify those ideas. They have to find the embodiment of the idea in flesh and blood in order to commit themselves to it.” Sabemos que ele pagou um alto preço por desejar cumprir sua missão – sacrificou a própria vida.

Quando o cumprimento de sua missão parecer muito distante do mundo real não desanime. Pense sobre a distância como uma medida de seu potencial – jamais de suas imperfeições. Afinal, nossa missão é tentar fazer melhor tudo que pudermos – amanhã melhor do que hoje. A melhoria continua é o único caminho válido para se alimentar uma liderança moral e espiritual superior em empresas públicas, privadas e não governamentais.

Ao sentar-se para redigir sua missão, responda às seguintes perguntas:
  • Quais são as atividades que proporcionam maior nível de satisfação e orgulho pessoal? Descreva-as, clara e objetivamente.
  • Se você fosse financeiramente independente, onde investiria seu tempo, talento, habilidade, esforço e energia?
  • Até que ponto você estará disposto a sacrificar certas vantagens e conveniências proporcionadas pelo mundo moderno, a fim de cumprir sua missão?
  • Se você soubesse que teria apenas mais um dia para viver, como gostaria de utilizar suas últimas horas de vida?

Lembre-se de que a vida é como a luz de uma pequena vela. A qualquer momento, ela pode se apagar. Muitas vezes, nem sequer chegamos a acendê-la totalmente e ela já se apagou. Por isso, não desperdice o que existe de melhor em você. Viva sua missão em plenitude. A pior coisa que pode acontecer à vida é não deixar um exemplo, um rastro de bondade, uma amizade calorosa, uma causa a ser continuada.

5o. Pesquise e conheça o mercado-alvo de trabalho

Como profissional, você necessita conhecer em profundidade o mercado – suas tendências, exigências atuais e futuras, oportunidades, ameaças, nível de concorrência, demanda e suprimento de mão-de-obra para todos os níveis hierárquicos, competências, conhecimentos, experiências mais valorizadas, profissões e empresas. Olhe tudo, cuidadosamente.

Infelizmente, é comum encontrarmos profissionais, cuja visão de mercado se restringe apenas a seu próprio departamento ou, na melhor das hipóteses, ao segmento de sua empresa.

Essa realidade atinge profissionais em países subdesenvolvidos, em desenvolvimento, como o Brasil e, também, indivíduos cujas carreiras são empreendidas em países do primeiro mundo, como os Estados Unidos.

A Harris Interactive, anteriormente Harris Poll, empresa de pesquisa norte-americana, conduziu um estudo com aproximadamente 23.000 profissionais nos Estados Unidos – gerentes e executivos –, oriundos de “key industries” – de alimentos, montadoras de carros, instituições financeiras, empresas de comunicação, serviços e tecnologia e descobriu a seguinte realidade:
  • Somente 37% dos pesquisados declararam ter entendimento claro sobre o que as organizações estavam tentando atingir e por quê.
  • Somente 1 em cada 5 empregados disse ter clara linha de visão das tarefas que executava, das de sua equipe e dos objetivos da organização.
  • Somente 1 em cada 5 estava entusiasmado com os objetivos de sua equipe e organização.
  • Somente metade da população pesquisada estava satisfeita,no final de semana, com o trabalho realizado.
  • Somente 15% achavam que as empresas em que trabalhavam os capacitava a executar seus principais objetivos.
Estudo semelhante foi conduzido na França e eis os resultados:

17% dos funcionários franceses estão “ativamente desligados” de seu trabalho, o que significa que adotaram uma atitude tão pouco construtiva que cheira a sabotagem…

Apenas 3% dos assalariados franceses “se empenham em suas funções”, de acordo com expressão consagrada, e se consideram “ativamente envolvidos” em seu trabalho. (Corinne Maier, “Bonjur Paresse”)

Fico imaginando como esses profissionais podem aspirar ao sucesso da própria carreira, se é que aspiram a tanto, em curto, médio e longo prazo. O mais certo é que estejam se transformando em “neo-escravos, pobres-diabos da terceirização, suplentes do Processo Econômico, coagidos a se fantasiarem de marionete a semana toda…” (Corinne Maier, Obra citada)

Sobre esta questão, sugiro que faça as seguintes perguntas:
  • Qual é seu mercado-alvo de trabalho hoje e no futuro – nos próximos 5 a 10 anos?
  • Quem serão os futuros empregadores e como eles escolherão seus colaboradores?
  • Como serão feitas as avaliações de desempenho no futuro e quem serão seus avaliadores?
  • Que serviços serão mais valorizados e por que tipo de empresa e segmento mercadológico?
  • Que exigências serão feitas quanto a competência, conhecimento, nível de experiência, formação acadêmica, integridade ética e moral?
  • Que estratégias de marketing pessoal necessita dominar e executar?
  • Que tipo de ambiente de trabalho é mais compatível com os valores e princípios que esboça?
  • Que oportunidades de crescimento e desenvolvimento existem na empresa onde trabalha atualmente? Você é capaz de identificá-las com nitidez e realismo?
  • Onde estará sua atual empresa dentro de 5 a 10 anos? Você conhece o plano estratégico da organização em que trabalha? Onde você se enquadra nele?
  • De que nível de tecnologia a empresa dispõe? Ele é compatível com o de seus principais concorrentes? É superior ou inferior?
  • Você acompanha o desenvolvimento tecnológico em sua área de trabalho e segmentomercadológico?
  • Qual é o nível de saúde financeira da empresa em que trabalha?
  • Qual é o nível de visibilidade de sua área no conjunto da organização? E a sua pessoal? O que fará para melhorá-los ao longo de 2017?
  • Que valor você agrega à empresa em que está?
  • O que o distingue de outros profissionais no mercado de trabalho? 
  • O mercado valoriza e reconhece suas competências?
6o. Plano de Desenvolvimento Pessoal, Profissional e Espiritual

Esse item do “Personal Business Plan 2017” é certamente um dos mais importantes e sobre o qual todos os outros se fundamentam. Não existe crescimento, onde profissionais não promovem o autodesenvolvimento nas várias dimensões, acima citadas. Se elas não forem totalmente satisfeitas, mais cedo ou mais tarde, a decepção e a frustração chegarão e o atingirão em cheio. Falo com experiência de estudante e de observador.

Crie instrumentos e ferramentas que possam ajudá-lo a crescer diariamente. Como escrevemos, em artigo anteriormente publicado, a água estagnada apodrece rapidamente.

Todo profissional deveria estar consciente daqueles requisitos que possibilitam a expansão e o progresso da alma, o relaxamento do corpo e da mente e, sobretudo, sua completa renovação. Entre estes destacamos: a oração, a meditação, a leitura de livros inspiracionais, boa música, contato com a natureza, observar o nascer e o pôr-do-sol, contemplar o céu estrelado ou noites de lua cheia, escutar o barulho de uma cascata ou o quebrar das ondas do mar contra rochedos, o cantar dos pássaros, o amor de um casal apaixonado, o sorriso de uma criança, ou mesmo o gesto de bondade de um coração generoso e altruísta.

Portanto, tome providências que tornem a jornada mais consistente e segura:
Escolha um mentor de sua inteira confiança. Aprenda com ele. Mas escolha-o não porque o percebe como pessoa simpática, mas porque tem algo a contribuir para o crescimento de sua vida.

Não justifique sua falta de interesse pelo próprio desenvolvimento, alegando que não tem recursos suficientes para adquirir livros, participar de cursos e seminários, etc. Essas desculpas não têm validade no mundo atual. Visite bibliotecas públicas e de universidades, pesquise na Internet, solicite à empresa em que trabalha financiamento para prosseguir os estudos, etc.

Faça viagens a diferentes lugares. Observe e absorva. Converse com pessoas diferentes e inteligentes. Leia jornais e revistas especializadas. Participe de discussões sobre assuntos diversos. Crie grupos de estudo. Mexa-se em todas as direções – norte, sul, leste e oeste. Abra-se para o mundo a seu redor.

Valorize a própria alma e, principalmente, a vida espiritual. Não confunda esta última com religião formal ou credo religioso. Aqui vale o conselho do estadista Salomão: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento”. (Eclesiastes 12.1).

Todos os dias reserve uma hora apenas para si mesmo. Reflita sobre as palavras de Maya Angelou, poetisa contemporânea, em um de seus poemas: “Todos nós precisamos nos afastar das preocupações que não se afastam de nós. Precisamos passar horas perambulando sem rumo ou períodos de tempo sentados num banco de um parque, observando o mundo misterioso das formigas e a cobertura das copas das árvores.” (Leia “Carreira e Renovação Pessoal” de Gutemberg B. de Macedo).

Seja o gerente de sua agenda e não seu escravo. Se você tiver interesse em obter uma discussão mais aprofundada sobre esse assunto, sugiro que consulte a série de artigos – “Carreira Executiva – Como Elaborar um Plano Realista e Exeqüível de Autodesenvolvimento,” divulgada no site da Gutemberg Consultores (www.gutemberg.com.br).

7o. Elabore seu planejamento financeiro, pessoal e familiar, de maneira realista conservadora

O planejamento financeiro é peça de extrema importância para aqueles que aspiram a um ano de 2017 próspero e sem grandes surpresas de natureza econômico-financeira.

Infelizmente, muitos indivíduos, por não planejarem, adequadamente, suas finanças pessoais, põem-se a gastar anualmente, sem saber de onde virão os recursos para saldar dívidas e honrar compromissos assumidos.

As conseqüências não conhecidas: profissionais que não conseguem se libertar do cheque especial, rolam, persistentemente, suas dívidas em administradoras de cartões de crédito, importunam colegas de trabalho em busca de dinheiro emprestado, penhoram bens, pagam despesas sempre em atraso – a mensalidade escolar dos filhos, a taxa de condomínio, a prestação do automóvel, e estão sempre procurando se esconder de seus credores.

Citemos o caso real de um executivo cuja vida financeira, totalmente desmantelada, reflete essa realidade. Sua situação era extremamente grave, apesar de seu excelente salário mensal de R$ 12 mil reais, além dos benefícios. Esse era insuficiente para saldar suas dívidas, em diferentes bancos e prover as necessidades básicas da família. Foi necessário a intervenção e gestão de seu diretor geral em vários bancos, a fim de negociar e escalonar as dívidas contraídas.

De acordo com o referido profissional, os últimos meses tinham sido um verdadeiro inferno – insônia, cobranças diárias de credores, perda de dois automóveis, um apartamento e da própria vontade de trabalhar.

O psicólogo Napolean Hill, em seu trabalho, “The Law of Success”, 1993 diz que a dívida é um senhor impiedoso, um inimigo fatal do hábito da economia e que sob o peso das dívidas, nenhum homem é capaz de dar o melhor de si no trabalho, ou de se expressar em termos que infundem respeito, de criar ou levar avante um objetivo definido de vida. O homem que se deixa escravizar pelas dívidas é tão desamparado como o escravo limitado pela ignorância, ou preso por grilhões.

É terrível pensar em atravessar a vida como uma vítima, acorrentada inteiramente aos outros por dívidas. A acumulação de dívidas é um hábito terrível. Começa-se de modo modesto, até que as dívidas vão pouco a pouco, assumindo proporções enormes e dominando inteiramente o indivíduo.

As pessoas que se habituam a dever, não têm a felicidade de compreender o erro a tempo de se libertarem dessa masmorra; a dívida é semelhante às areias movediças que vão levando o indivíduo cada vez mais para o buraco sem fundo.

Em contra-partida, aqueles que não fazem dívidas – “viver acima de suas condições e posses” –, não somente afastam a escravidão da dívida, como vivem vidas mais bem-sucedidas e estáveis financeiramente.

A poupança, em qualquer de suas formas é essencial para o sucesso e a estabilidade, principalmente, psicoemocional do profissional. Sem reserva financeira, o indivíduo sofre por dois lados: primeiro, pela incapacidade de agarrar as oportunidades que aparecem apenas para aqueles indivíduos que possuem algum capital – “dinheiro atrai dinheiro” – e, em seguida, pelos embaraços que surgem numa emergência que exige dinheiro – doença, desemprego, etc.

Portanto, ao entrar no novo ano, tome como princípio o adágio popular que diz: 

“Cuide de seus centavos e os milhões cuidarão deles mesmos”.

Além disso, tome as seguintes providências:

Defina suas prioridades – onde empregará o dinheiro com sabedoria.
Elabore um orçamento anual – despesas e receitas. Não deixe nada de fora, principalmente as despesas consideradas invisíveis.

Evite dívidas não produtivas. Elas minarão a saúde financeira e o destruirão.

Poupe, no mínimo 10% do salário mensal. Você nunca sabe quando a necessidade baterá em sua porta. O conselho dado pelo estadista Salomão, rei de Israel (700 a.C.), merece reflexão: “Vai ter com a formiga: olha para os caminhos, e sê sábio. A qual, não tendo superior, nem oficial, nem dominador, prepara no verão o seu pão: na sega ajunta o seu mantimento.” (Povérbios 6.6-8).

Lembre-se de que o dinheiro é um assunto, eminentemente, pessoal e como tal deve ser tratado. Bem administrado, é capaz de lhe proporcionar, e àqueles que o cercam, um novo ano muito mais feliz. Um homem esperto pode tornar-se rico, mas muitos se tornam ricos e tolos. É por isso que quase todos os dias tomamos conhecimento de pessoas que ganharam muito dinheiro, mas perderam tudo – geralmente devido a maus investimentos ou porque o gastaram sem pensar no dia de amanhã.

Não caia na armadilha de querer impressionar outras pessoas. Elas não pagam suas contas. Ter dinheiro pode ser traiçoeiro. Pode rodeá-lo de falsos amigos e afogá-lo num mar de elogios cobertos de pompa, mas vazios de significado. Afaste-se daquelas pessoas que oferecem elogios vazios, como falso presente, de acordo com advertência de G. Kingsley Ward.

Evite emprestar dinheiro a quem quer que seja. Você não é uma instituição financeira. A propósito, essa é uma das melhores maneiras de se perder um amigo – aceitar seu pedido de empréstimo. Faça melhor: ao tomar conhecimento das dificuldades financeiras de um amigo e sentir que ele poderia fazer bom proveito de sua ajuda, ofereça-a. Aqueles a quem você oferece um empréstimo são os que geralmente costumam devolvê-los além de permanecerem seus amigos.

Trabalhe agora mesmo em seu “Personal Business Plan 2017.” Não espere que as coisas aconteçam por acaso, que a sorte bata a sua porta ou que algum milagre sobrenatural acabe por modificar o curso de sua vida, carreira e fortuna pessoal. Lembre-se do viajante de nossa história que foi devorado pelo lobo, após ter sido inúmeras vezes favorecido pelo destino.

A sorte e os milagres somente acontecem na vida daqueles indivíduos que assumem com responsabilidade a gestão de seu destino. Portanto, a melhor maneira de saber o que o destino nos reserva é planejar o futuro com sabedoria e executar, dia após dia, o planejado. Deus nunca ajuda aqueles que não ajudam a si mesmo.

Um futuro de sucesso ou de insucesso, depende em grande medida do que você fizer com as próprias mãos. Cubra a vida de novos desafios no novo ano. Encha sua mente de pensamentos positivos e o coração de fé e novas esperanças. 

Trabalhe em 2017 como se fosse viver eternamente, porém não se esqueça de viver a vida em toda a sua intensidade como se fosse morrer ainda hoje. Mas cuidado para não deixar sua alma para trás no novo ano, correndo sem saber por quê!

Tenha um Próspero 2017 e ótimas conquistas!