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domingo, 5 de janeiro de 2020

Tendência de mercado: O que estará em alta no mundo da gastronomia em 2020

Comer em frente ao computador durante o dia, brindar com os amigos à noite. A sequência é mais familiar do que queremos admitir. É fato que o cotidiano acelerado tem mudado nossa maneira de comer, mas o que isso significa para o setor de alimentação?

Aura de “lugar para encontros” dos restaurantes se intensifica e a corda bamba entre comer por necessidade fisiológica ou função social se torna menos trêmula. Passamos a ter consciência de que algumas refeições serão “apenas” para nos nutrir, enquanto outras, menos frequentes, serão fontes de prazer e de compartilhamento com família e amigos, seja no salão de um restaurante ou preparando uma massa com molho feitas do zero em casa.

Restaurantes voltam a ter uma aura de lugar para grandes encontros. Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

Conveniência é a principal palavra para estabelecimentos de alimentação em 2020. “As pessoas querem comer bem, mas sem ter muito trabalho. As marcas trabalham isto com serviços de entrega, modelos de assinatura, lojas com horários alternativos, embalagens inteligentes, entre outros”, enumera Daniela Yazigi, especialista da empresa de previsão e análises de tendências da WGSN. Espaços híbridos, que reúnem um café, uma atividade cultural e uma loja de insumos e utensílios, aumentarão em quantidade.

Relatórios das agências Baum+Whiteman, Benchmark Global Hospitality, National Restaurant Association, Sterling-Rice Group e WGSN, que monitoram tendências e estudam o comportamento do consumidor, apontam alguns caminhos para 2020.

Algumas das macro-tendências dos anos anteriores ressoam com mais força para 2020: a preferência por produtos locais, aproveitamento integral dos ingredientes, preparos artesanais e naturais, como vinhos biodinâmicos, e menos carne no prato. Junto a elas, a entrada de proteína vegetal na alimentação de “carnívoros” — os hambúrgueres plant based das foodtechs, por exemplo.

Cada vez mais proteínas vegetais estarão presentes e serão consumidas até mesmo por “carnívoros”. À esquerda, hambúrguer plant based. À direita, de carne bovina. Foto: Letícia Akemi/Arquivo Gazeta do Povo

Para o jornalista gastronômico Rafael Tonon, especializado em tendências, os limites entre refeições ficarão cada vez menos nítidos e os snacks podem ser uma solução para resolver a vontade de comer, sem demandar tanta energia e trabalho de preparar pratos ou ir a um restaurante.

“Em uma sociedade da economia criativa, com mais pessoas trabalhando como autônomos, os horários convencionados para as refeições não fazem mais tanto sentido. Por que não almoçar às 15h30?”, exemplifica Tonon. O surgimento de restaurantes all day, com cardápios que não mudam no decorrer do dia, são um dos sinais desse movimento. Em maio, Tonon lança o livro “Revoluções da comida” (título provisório) pela editora Todavia, em que trata dessa e de outras mudanças nos hábitos alimentares.

“Os restaurantes se segmentarão cada vez mais para promover experiências mais autênticas. Haverá mais interação entre serviço, comida e experiência de consumo, e os restaurantes tendem a diminuir seu tamanho. Assim terão mais restaurantes pequenos espalhados pela cidade, sempre cheios pois têm salão menor. Outra tendência é ampliar o horário de funcionamento e cardápio reduzido para reduzir custos fixos”, desenha Luiz Mileck, representante da Rede Latino-Americana de Food Design no Brasil, sócio e diretor-executivo no O Locavorista e idealizador do Coletivo Alimentar, uma instituição que propõe discussões em alimentação e gastronomia.

Confira as principais macro-tendências para a gastronomia em 2020:

Conveniência e encantamento

Atender a mais de um público, reunindo operações distintas em um mesmo endereço é um dos modelos a ganhar força em 2020. Um restaurante que temm salão com delivery e com venda de produtos para preparar em casa é um exemplo.

Espaços híbridos, também chamados de food hall, atenderão à ideia de conveniência. Essas operações mistas reúnem restaurantes, panificadoras, confeitarias, hortifruti, peixarias, bar, adega e outros — como o Eataly ou a Mercadoteca, em Curitiba.

Aberta em 2015, Mercadoteca reúne operações como hortifruti, restaurantes, bares e outros. Foto: Divulgação

“Ter um serviço de excelência e comida de qualidade é o mínimo, mas hoje em dia vemos que ter um ambiente agradável, que converse com o cardápio, se tornou essencial. O importante é sempre ser verdadeiro e original”, diz Daniela.

Kits de refeições prontas, com ingredientes porcionados, também entram no pacote de conveniência, bem como snacks mais elaborados, ricos nutricionalmente e também em sabor. A prática de comer sozinho, beliscando algo prático, pedindo um delivery ou cozinhando um kit em casa pode restabelecer o status dos restaurantes enquanto espaços sociais. “As pessoas vão cozinhar menos em casa, mas dedicarão mais tempo à atividade quando o fizerem. Terá uma preocupação maior em plantar o tempero, cozinhar como entretenimento e envolver outras pessoas”, prevê Mileck.

“Há experiências que só são possíveis em um restaurante”, crava Tonon. Nesta toada, restaurantes menores, em que os salões para algumas dezenas de pessoas fica de frente para uma cozinha aberta pode se tornar constante. Outra é a capacidade de a gastronomia contar histórias e encantar, seja por um menu degustação, seja com um conceito forte em cardápio e ambientação.

Delivery muda as regras do jogo

Quem pesquisa o setor de delivery afirma: não é o mesmo que tele-entrega. Com aplicativos intermediando restaurantes e clientes, as estratégias de venda e os preços mudam, e as expectativas em relação a entrega e embalagens sobem. Não apenas pela temperatura e apresentação do prato depois de uma viagem de motocicleta.

As possibilidades de criar uma experiência memorável a partir do delivery são muitas. Por exemplo: um preparo em que a finalização é feita pelo cliente; a embalagem e disposição dos pratos de maneira surpreendente; uma maneira de apresentar as opções no aplicativo que converse com o público-alvo, entre outros. “Com tantas variações, onde começa a experiência de comer no restaurante e onde começa a de comer em casa?”, questiona Tonon.

Delivery possibilita muitas experiências além da entrega de uma refeição em casa. Foto: Kai Pilger/Unsplash
Delivery possibilita muitas experiências além da entrega de uma refeição em casa. Foto: Kai Pilger/Unsplash

Com as dark kitchens ou “restaurantes fantasmas” (sem salão, apenas entregas), os custos operacionais diminuem, mas não a possibilidade de proporcionar uma experiência ao consumidor. Enquanto ferramenta para contar histórias, a gastronomia não perde sua potência ao chegar por delivery. “A mensagem tem de ser: tenho uma coisa para te contar que você não vai ver em outro lugar”, resume Tonon.

Estratégia: de olho nos dados

O crescimento de pedidos por delivery é um prato cheio para quem desenvolve os aplicativos. O recolhimento de dados de comportamento e de perfil permitem antecipar demandas, criar campanhas mais assertivas e balizar as decisões de empresários do setor de alimentação. O que é o mais pedido em uma noite chuvosa? Quanto mais o tempo passa, mais os dados coletados pelos apps geram respostas certeiras e os empresários tomam decisões mais rápidas.

Para os restaurantes, investir em tecnologia para gerenciar estoque, fornecedores, processos e preferências do público será imperativo. “As margens de lucro não aumentam, mas cada vez mais a tecnologia e o acesso a dados é uma parte importante do orçamento de um restaurante; mesmo dos pequenos”, diz o documento da National Restaurant Association (NRA), com previsões para os próximos dez anos do setor.

Bebidas: sem álcool, com gás

Nas bebidas, um aceno aos mocktails e a bebidas fermentadas, porém sem álcool, como kombucha. A sensação das bolhinhas satisfaz que está acostumado a consumir refrigerante, espumante ou chope, mas quer diminuir a ingestão de açúcar ou álcool. O crescimento do consumo de água com gás saborizada ou compondo drinks sem álcool também é esperado, junto dela, um perfil de sabor que puxa para o amargo, tais como cascas de cítricos, zimbro, lúpulo, entre outros.

Kombucha na torneira, do Mornings, restaurante que serve apenas preparos de café da manhã. O gás acrescenta textura à bebida. Foto: Fernanda Santos/Divulgação

No Brasil, o lançamento mais recente que vai ao encontro dessa tendência é um espumante da Ovnih, uma vinícola gaúcha cujos vinhos são comercializados em lata. O Ovnih Sparkling Hop é um espumante que leva uma adição de lúpulo na composição. O ingrediente acrescenta um leve amargor e notas de cítricos à bebida.

Menor impacto no meio ambiente

A recusa por canudo de plástico é um dos sintomas da mudança de comportamento que vêm sendo observada há anos. O desejo por causar menos impacto no meio ambiente seja na produção de lixo, seja no desperdício de alimentos, segue como uma demanda do público e passa a ter efeitos no setor de alimentação. Embalagens descartáveis diminuem em produtos de gôndola e utensílios reutilizáveis ganham espaço no salão — canudos de inox ou vidro, talheres de bambu em vez de plástico.

“Um dos principais eixos é o tripé da sustentabilidade: ecológica, social e financeira. No primeiro, é a redução de lixo, a compostagem, repensar embalagens e a simplificação da dinâmica do serviço. Na sustentabilidade social, as pessoas estão mais envolvidas no serviço, com a horizontalização das funções, proprietário e funcionários executando juntos”, explica Mileck. Na parte financeira, auto-atendimento com pedido em totens e retirada no balcão, cardápios digitais e operações com apenas uma pessoa (como os cafés to-go, em que o barista serve o café e cobra a conta) diminuem custos fixos de funcionários e de material.

Com isso, cresce também a valorização de produtos tidos como mais naturais, como vinhos biodinâmicos e proteína vegetal fazendo as vezes de “carne”, como os hambúrgueres vegetarianos mais modernos. O relatório da Sterling-Rice Group prevê um aumento pela procura de selos de certificação livres de glifosato, além dos já comuns livre de transgênicos ou orgânicos. O glifosato é um agrotóxico proibido na União Europeia, mas é o mais usado no Brasil — se a certificação pegar nos EUA, é possível que encontre um reflexo no Brasil.
A preferência por canudos reutilizáveis é um dos sinais de um movimento maior, em que o consumidor faz escolhas que impactem menos o meio ambiente. Foto: Divulgação
A preferência por canudos reutilizáveis é um dos sinais de um movimento maior, em que o consumidor faz escolhas que impactem menos o meio ambiente. Foto: Divulgação
“As pessoas realmente aprenderam a ler rótulos e estão enxergando o alimento além de um sinônimo de prazer e satisfação”, indica Daniela Yazigi, da WGSN.
“Isso engloba não só a sustentabilidade, mas também conscientização de diversidade e de aprendizado sobre o alimento”, completa.
“A indústria lançará mais produtos com a informação de que são saudáveis, como pães de fermentação natural, que certamente podem ter uma pequena porcentagem de fermentação natural na produção. Mas a indústria ainda surfa na desinformação do consumidor e no uso de termos que ainda não estão tão presentes no dia a dia da população média”, analisa Mileck.
A valorização da carne enquanto ingrediente nobre se intensifica, não apenas por uma questão macro-econômica, mas porque as pessoas passaram a se preocupar com a cadeia de produção animal mesmo não sendo vegetarianas. Açougues “éticos” e a demanda por certificação de abate humanitário também crescem — outros cortes começam a surgir, segundo relatório da estadunidense National Restaurant Association (NRA), como shoulder tender, oyster steak e merlot cut.

Menos carne, mais proteína

Se o consumo de carne diminui, o volume de proteína não: proteína vegetal continua sendo a base para fazer produtos similares a carnes, laticínios e outros produtos de origem animal. A proteína de ervilha toma o espaço da soja como base para estes produtos plant based e depois de uma popularização de leites vegetais de soja e amêndoa nos mercados americano e europeu, a aveia será mais explorada pelo setor.

Cheeseburger feito com o hambúrguer Fazenda Futuro. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo
Hambúrguer Fazenda Futuro: feito com proteínas de origem vegetal, o preparo imita carne. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Algas e cogumelos entram como ingredientes para acrescentar sabor e cor a produtos como snacks e substitutos para carnes, por concentrarem moléculas responsáveis pelo gosto umami e apresentarem alto valor nutricional: a indústria aposta na estratégia de “dois coelhos em uma cajadada só”.

O relatório da WGSN traz o termo “palato pós-industrial” da antropóloga Tania Ahmad para definir a combinação de uma comfort food, um prato nostálgico, porém composto de ingredientes tecnológicos, como “carne de plantas”. A WGSN aponta a carne como um “novo luxo”, ao lado de bebidas alcoólicas e do (bom) chocolate.

Comida compartilhável

A expressão “comida compartilhável” pode ser lida nos dois sentidos: para repartir com outras pessoas e/ou um prato que rende uma bela foto para as redes sociais.

“Os restaurantes vão se tornar cada vez mais templos para comida de socialização e de prazer”, vaticina Tonon. Quando o hábito de beliscar se tornar mais cotidiano, é possível que seja feita uma única refeição por dia, daquelas como manda o figurino: sentado à mesa, com companhia e com preparos que sejam “comida de verdade” na aparência. “Se antes você tinha que comer uma bolacha, fruta ou salgadinho na pausa da tarde, hoje a indústria tem uma coisa pequena que envolve hedonismo e nutrição para esse momento”.

Para Mileck, comer como uma atividade social ficará em evidência no próximo ano, mas não será cotidiana. “Vai diminuir, mas haverá uma procura por experiências mais autênticas fora de casa”, aposta.

Ovos nevados de jenipapo e cumaru do Corrutela. Foto: Vania Krekniski/Arquivo pessoal

Mais cores na apresentação dos pratos e a aposta é nos tons de azuis e roxos, como batata-doce, milho, algas (espirulina, por exemplo), manjericão, repolho e a flor da ervilha-borboleta (clitoria), que tinge de azul o preparo quando reage com um ácido. Abrasileirando o tom, o jenipapo como tonalizante para massas e cremes pode se popularizar.

Cores vibrantes como vermelho da beterraba, o verde do matchá e o amarelo da cúrcuma também pintarão nos pratos. A cor será uma das estratégias adotadas pelos restaurantes para aparecer mais no seu feed: quanto mais bonito e surpreendente o prato, mais engajamento a foto gera nas redes sociais."

sábado, 4 de janeiro de 2020

Show: Nova série da Netflix supera Stranger Things como a mais popular ao redor do mundo


Stranger Things já foi a série mais popular da Netflix. Mesmo amada, a produção parece estar perdendo o posto dentro da plataforma de streaming.

Com um comparativo divulgado em inúmeros países pela própria plataforma, que publicou ao final de 2019 quais são as produções mais populares de cada local, os fãs descobriram que outra série está superando Stranger Things. O que impressiona é o tempo de lançamento da novidade.

Com um pouco mais de uma semana de exibição, The Witcher superou Stranger Things em vários lugares do mundo. Essa conta foi feita por um usuário do Reddit.

A comparação

O usuário mostrou que The Witcher venceu Stranger Things em 21 países, inclusive no Brasil (veja mais aqui). Enquanto isso, a ficção científica saiu vitoriosa em apenas 5 nações.

Vale lembrar que a Netflix levou em conta a comparação dos 28 primeiros dias de exibição de cada série. The Witcher concorreu com a terceira temporada de Stranger Things.

Em muitos países, vale notar que as duas séries ficaram atrás de uma terceira produção. Como no Brasil, que La Casa de Papel é a mais popular.

Apesar da vitória de The Witcher em muitos países, há outro fator que favorece Stranger Things. Nos Estados Unidos, um dos principais mercados, é a ficção científica que saiu vitoriosa, inclusive com a 1ª colocação geral.

De qualquer forma, quem comemora a disputa é a Netflix. As duas séries estão disponíveis na plataforma.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Nasa investigará asteroide que pode estar repleto de ouro com valor de 10 mil quatrilhões de dólares


A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) aprovou uma missão espacial para estudar um asteróide gigante de metal cujo interior teria tanto ouro que seria capaz de causar um colapso econômico mundial.

Segundo analistas, o metal precioso contido nessa rocha chamada Psyche 16 é avaliado em 10 mil quatrilhões de dólares, uma cifra escandalosa que enlouquece caçadores de fortuna.

O asteróide também é composto de ferro e níquel, assim como o núcleo da Terra. A Nasa não confirmou a presença de ouro na sua estrutura, mas diferentes publicações garantem que há grandes volumes do metal no Psyche 16.

A NOVA MISSÃO DA NASA

O valioso meteorito mede 210 quilômetros de diâmetro e está localizado três vezes mais longe do Sol do que a Terra, no cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter. A Nasa enviará a Missão Discovery em 2023 para estudá-lo, esperando chegar ao asteroide em 2030.

“Esta é uma oportunidade para explorar um novo tipo de mundo, não de rocha ou gelo, mas de metal”, disse a pesquisadora da Universidade do Estado de Arizona Lindy Elkins-Tanton.

“O Psyche 16 é o único objeto do seu tipo conhecido no sistema solar. Esse é o único jeito que os humanos visitarão um núcleo. Aprendemos sobre o espaço interior visitando o espaço exterior”, acrescentou.

O presidente da Royal Astronomical Society dos Estados Unidos, John Zarnecki, estima que são necessários 25 anos para encontrar uma maneira conceitual de como extrair metal da rocha.

O líder da Euro-Sun Mining, Scott Moore, acredita que quanto mais tempo, melhor, porque esse ouro espacial causaria um caos na indústria do ouro.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Saiba por que um país inteiro proibiu o uso de protetores solares

Arquipélago de Palau, no Oceano Pacífico, se tornou a primeira nação a banir filtros solares que contém substâncias como oxibenzona, que protege a pele contra raios ultravioletas — Foto: Getty Images via BBC

O arquipélago de Palau, no Oceano Pacífico, se tornou o primeiro país a banir protetores solares prejudiciais a corais e à vida marinha.

Desde esta quarta-feira (1), estão proibidos o uso e a venda de filtros solares que contenham um de dez ingredientes citados em uma lista — entre eles, a substância oxibenzona.

"Temos que respeitar o meio ambiente, porque o meio ambiente é nosso ninho na vida", disse o presidente do Palau, Tommy Remengesau.

O país se vende no exterior como o "paraíso pristino" de mergulhadores. As ilhas Chelbacheb (também conhecidas como Rock Islands), formadas por um recife de coral parcialmente submerso, são consideradas patrimônio da humanidade pela Unesco.

O país tem uma população de apenas cerca de 20 mil pessoas, espalhadas por dezenas de ilhas, mas recebe mais de 120 mil turistas por ano.


'Quando a ciência nos diz que uma prática é prejudicial às barreiras de corais, às populações de peixes ou ao próprio oceano, nossa população e nossos visitantes escutam', disse presidente do país — Foto: Patrick Colin/Unesco

O veto a protetores solares, anunciado em 2018, afeta produtos que contenham qualquer um de uma lista de 10 ingredientes — entre eles, oxibenzona e octinoxato, que protegem a pele ao absorver raios ultravioletas — conhecidos por serem prejudiciais à vida marinha.

Os efeitos desses químicos

O problema é que, quando o banhista entre no mar, essas substâncias em sua pele são liberadas na água, chegando aos corais, que absorvem o produto e podem morrer. Os que sobrevivem têm seu sistema reprodutor afetado ou dificuldades para suportar o aquecimento das águas no verão.

O impacto se estende para outras espécies de animais marinhos que dependem dos corais como abrigo e fonte de alimento.

A Fundação Internacional de Barreiras de Corais (International Coral Reef Foundation) diz que os químicos banidos em Palau são "conhecidos como poluidores do meio ambiente".

"A maioria deles é incrivelmente tóxica para os estágios iniciais da vida de várias espécies animais", afirma.

De acordo com a fundação, diversas pesquisas científicas demonstraram que a oxybenzona, particularmente, danifica o DNA dos corais e pode matar corais jovens. Além disso, a substância pode causar defeitos de desenvolvimento em espécies de peixe e é tóxica para camarões, moluscos, algas marinhas e ouriços-do-mar.

'Temos que ouvir a ciência'

O presidente de Palau disse à agência de notícias AFP: "Quando a ciência nos diz que uma prática é prejudicial às barreiras de corais, às populações de peixes ou ao próprio oceano, nossa população e nossos visitantes escutam."

Segundo Remegensau, químicos tóxicos contidos em protetores solares foram encontrados em habitats cruciais da ilha de Palau e no tecido de animais que são símbolos do país.
Pesquisas apontam que substâncias presentes em muitos protetores solares alteram o DNA dos corais, matam as espécies mais jovens e são tóxicas para peixes, camarões e moluscos — Foto: Global_Pics via BBC

"Não vemos problema em sermos a primeira nação a banir esses químicos. Vamos fazer a nossa parte para espalhar essa mensagem", disse.

O número de protetores solares que contêm substâncias prejudiciais ao meio ambiente está caindo. Em 2018, especialistas disseram que as 10 substâncias químicas banidas em Palau eram encontradas em cerca de metade dos cremes e loções vendidos em todo o mundo.

Quando o Havaí, nos Estados Unidos, anunciou um veto similar, que entrará em vigor em 2021, grandes marcas de filtro solar se apressaram para dizer que seus produtos eram "seguros para barreiras de corais".

Outros países e ilhas também anunciaram futuros vetos a protetores solares, como as Ilhas Virgens Americanas, onde a lei entra em vigor em março, e a ilha caribenha holandesa de Bonaire.

As substâncias banidas em Palau

Se você está interessado em evitar o uso de protetor solar prejudicial ao meio ambiente, essas são as 10 substâncias banidas em Palau:
  1. oxybenzona (benzofenona-3)
  2. etilparabeno
  3. octinoxato (metoxicinamato de octila)
  4. butilparabeno
  5. octocrileno
  6. metilbenzilideno cânfora
  7. benzilparabeno
  8. triclosano
  9. metilparabeno
  10. phenoxyethanol

Medida no Havaí

No vídeo abaixo, saiba mais sobre projeto de senador do Havaí propõe proibir o uso de diversas marcas de protetor solar (clique na imagem a seguir para assistir o vídeo).

Projeto de um Senador do Havaí propõe proibir o uso de diversas marcas de protetor solar.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

É ano novo para muitas pessoas... mas, para outras, não.

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As pessoas para quem não estamos em 2020

É ano novo para muitas pessoas... mas, para outras, não.

Enquanto muita gente comemora a chegada de 2020, há outros calendários em uso no mundo todo que indicam um ano completamente diferente.

O fato é que estamos no ano de 2020 de acordo com o calendário gregoriano, que é adotado na prática pela maior parte dos países.

Este calendário, baseado no ciclo solar, foi introduzido pelo papa Gregório 13 em 1582.

E surgiu como uma reformulação do calendário juliano, criado pelo líder romano Júlio César, que correspondia à rotação da Terra ao redor do Sol, mas não era tão preciso.
Até então, muitos países cristãos celebravam o Ano Novo em 25 de março, data que marca a aparição do arcanjo Gabriel à Virgem Maria, mas o Papa Gregório restabeleceu o 1º de janeiro como início oficial do ano.

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Há, no entanto, outros calendários em uso ao redor do mundo. Entre eles, estão:

Judaico

Pelo calendário judaico, estamos no ano 5780.

E, de acordo com ele, o ano novo é celebrado no fim de setembro, durante o chamado mês de Tishrei.

Há, na verdade, quatro calendários diferentes no judaísmo, incluindo um dedicado às árvores.

O de Tishrei se refere ao aniversário da criação do universo.

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Trata-se de um calendário lunissolar, ou seja, que leva em consideração os ciclos do Sol e da Lua.

É costume mergulhar um pedaço de fruta no mel para ter um ano novo doce.

Mas também é tempo de penitência e reflexão.

Um dos rituais, chamadoTashlich, consiste em jogar migalhas de pão na água corrente para simbolizar a purificação dos pecados.

Chinês

Assim como o calendário judaico, o tradicional calendário chinês também é lunissolar. E o ano novo chinês cai numa data diferente a cada ano.Direito de imagemGETTY IMAGES

Em 2020, por exemplo, vai ser celebrado no dia 25 de janeiro.

Cada ano recebe o nome de um dos 12 animais do horóscopo chinês, que têm um papel importante na cultura do país.

O próximo ano será o ano do rato.

O ano novo chinês também é conhecido como Festival da Primavera.

É um feriado de uma semana e remonta à antiguidade.

Coreia do Sul

O Ano Novo lunar é comemorado em muitos países asiáticos, como a Coreia do Sul.

Os sul-coreanos comemoram o ano novo duas vezes.

O primeiro dia do tradicional ou "antigo" calendário lunar coreano é chamado Seollal.

Assim como na China, é um dos maiores feriados do ano e é comemorado no dia 25 de janeiro.

Mas os sul-coreanos também celebram 1º de janeiro como o "novo" ano novo, de acordo com o calendário gregoriano, introduzido na Coreia no fim do século 19.

Mas sua instituição é mais uma questão simbólica e administrativa.

Coreia do Norte

Na Coreia do Norte, por outro lado, nenhum deles é considerado um feriado importante.

Eles colocam o ano novo em segundo plano em relação aos feriados socialistas.

Índia

Na Índia, por sua vez, há bem mais de duas datas.

Os hindus de diferentes partes do país celebram o ano novo com base em seus próprios calendários — que podem seguir os ciclos solar, lunar ou ambos.

O ano novo Tamil, que é comemorado principalmente no estado indiano de Tamil Nadu, no sul da Índia, geralmente cai no dia 14 de abril.

E geralmente é perto ou na mesma data do ano novo bengalês, birmanês e cingalês.

O calendário Tamil mais comum compreende ciclos de 60 anos.

Em vez de números como 2020 ou 2019, todos os anos recebem nomes, e o próximo se chamará Saavari.

Islâmico

De acordo com o calendário islâmico ou hegírico, estamos no ano 1441, que começou em agosto. O calendário islâmico data de quando o profeta Maomé fugiu da cidade de Meca para Medina.

É um calendário baseado nos ciclos da Lua.

É por isso que as datas de todos os rituais islâmicos variam.

O mês do Ramadã, por exemplo, foi em maio em 2019, mas em novembro em 2000.

Embora as pessoas celebrem o ano novo hegírico, o calendário gregoriano é o oficial na maioria dos países árabes.

Persa

Para os iranianos, estamos no ano 1398.

O ano novo persa é comemorado no equinócio da primavera, mais precisamente, no primeiro dia da estação, quando a luz solar incide da mesma forma sobre os dois hemisférios, fazendo com que os dias e as noites tenham a mesma duração (12 horas cada).

O calendário é baseado no movimento da Terra ao redor do Sol.

E o ano novo ou Noruz, que significa novo dia em persa, geralmente cai por volta de 20 de março.

O Noruz é comemorado há mais de 3 mil anos, não apenas pelos iranianos, por outras comunidades também.

Para celebrar, eles preparam uma mesa decorada com sete itens simbólicos, e os jovens visitam o membro mais velho da família por respeito.