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segunda-feira, 11 de abril de 2022

Saiba quais são os primeiros sintomas da ômicron e quando eles surgem


Apesar de ser considerada menos letal, cepa tem sintomas semelhantes aos da gripe, o que pode atrasar o diagnóstico.

Os casos e hospitalizações por Covid-19 voltaram a subir em todo o mundo, inclusive no Brasil, pelo fato de a ômicron, hoje a variante dominante no mundo, ser muito mais transmissível do que o SARS-CoV-2 original, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma das maneiras de segurar a propagação da nova cepa é, assim que começarem os sintomas da doença, fazer um teste para comprovar ou descartar a infecção e, em caso positivo, se isolar para evitar contaminar outras pessoas. Para isso, é essencial reconhecer os sintomas da ômicron e entender quando eles costumam se manifestar.

Sintomas da ômicron

Os sintomas mais comuns entre os infectados pela ômicron são febre, coriza, dor de garganta e dor no corpo, nada semelhantes à perda de paladar, de olfato e tosse seca comuns às outras variantes.

A ômicron foi detectada e anunciada pelo Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul (NICD) em 25/11/2021 a partir de amostras retiradas de laboratório, após a médica Angelique Coetzee, presidente da Associação Médica da África do Sul, observar uma mudança no perfil sintomático dos pacientes com Covid-19. Eles relatavam cansaço extremo, dores pelo corpo, dor de cabeça e garganta, a maioria com quadros leves e quase metade não havia sido vacinada. Ainda em novembro a OMS incluiu a ômicron na sua lista de variantes de preocupação, ou seja, com mais mutações, mais transmissíveis e com mais chances de causar doenças graves.

O fato dos sintomas serem semelhantes aos de uma gripe comum pode confundir e fazer com que as pessoas desistam de averiguar se é Covid-19 ou não. A OMS indica que no surgimento de alguns destes sintomas, o ideal é fazer um teste do tipo RT-PCR ou de antígeno para comprovar o diagnóstico.

Período de incubação

Um estudo preliminar da Universidade de Nebraska publicado pelo Centro de Controle de Doenças (CDC), ambos dos Estados Unidos, demonstrou que o tempo de incubação (período entre a infecção e o aparecimento dos sintomas) da ômicron no organismo é de até três dias. Ou seja, a pessoa infectada pela ômicron desenvolveria sintomas mais rapidamente do que na infecção por outras variantes.

“Considerando que o período médio de incubação do SARS-CoV-2 foi descrito como ≥ cinco dias, e mais próximo de quatro dias para a variante delta, o período médio de incubação observado neste cluster foi de aproximadamente três dias”, descreveu a publicação. O estudo foi realizado com seis infectados pela ômicron de uma mesma família, com idades entre 11 e 48 anos, apenas um completamente vacinado.

Já um estudo do Instituto Japonês de Doenças Infecciosas demonstrou que a carga viral da ômicron atinge seu pico de três a seis dias após a infecção e tende a desaparecer dez dias após o início dos sintomas ou o diagnóstico.

O estudo preliminar mediu a carga viral de 83 amostras respiratórias de 21 infectados pela ômicron, 19 vacinados e dois não vacinados, 17 destes com sintomas leves e quatro sem sintomas, em dias diferentes. A quantidade de RNA viral dos participantes do estudo caiu ao longo do tempo, com maior diminuição após 10 dias do início dos sintomas.

Fonte: https://butantan.gov.br - Publicado em: 28/01/2022

quinta-feira, 10 de março de 2022

Como malhar em casa e ganhar massa muscular durante a quarentena


Se você está entre os milhões de brasileiros que não podem mais frequentar uma academia por conta da pandemia do COVID-19, saiba que é possível replicar a experiência em casa, para você não perder todo o trabalho duro que já fez até agora.

Exercitar-se nesse momento é importantíssimo para manter a saúde mental em dia e fazer o tempo passar mais rápido, já que perdemos muitas opões de lazer com o fechamento de cinemas, teatros, bares e restaurantes.
 
Se você estava sedentário até agora, tenha bom senso para não exagerar ou fazer exercícios que estão além do seu limite. Opte por alongamentos e pegue leve. A recomendação é ter o aval do seu médico para iniciar uma atividade física. Se possível, ligue ou envie mensagem para o seu médico para perguntar que tipo de atividade física você deve fazer em casa.

Confira abaixo lista de aplicativos e vídeos para se exercitar no conforto do seu lar:


Este app tem treinos rápidos, sem necessidade de equipamento. As orientações são feitas com animação e vídeo, e ele é 100% grátis. Além do exercício em si, há aquecimento e alongamento.


Neste app o foco é na musculação, com treinos para braços, peito, abdômen, pernas, ombros e costas. Cada exercício tem animações e orientações em vídeo. 


O aplicativo da Nike é gratuito, para android e iOs. Ali há mais de 150 tipos de treinos e circuitos de academia. O usuário escolhe o nível dos exercícios de acordo com o condicionamento físico.



O aplicativo “ioga de bolso” tem 27 aulas de níveis diferentes, com mais de 150 ásanas (posturas). Uma grande vantagem da ioga é conter exercícios de respiração, muito úteis em momentos de ansiedade por conta da falta de definição sobre o futuro imediato global. Outro detalhe delicioso é a trilha sonora, que te ajuda a entrar no clima. Este aplicativo é pago.


Esses treinamentos têm até sete minutos de duração, mas isso não quer dizer que você vai pegar leve. Pelo contrário, seus batimentos cardíacos vão aumentar quase que imediatamente. São mais de 200 sequências de exercícios, mas vários deles são pagos.


Se você não tem sete minutos para malhar por dia, que tal esse aplicativo que tem treinos de cinco minutos? Há também opções de oito ou dez minutos. Aqui você vai correr, pular e fazer polichinelos. Este app é grátis.



Neste app você encontra aulas de treino funcional, de pilates, de abdominais e até aula de dança. Também há a opção de contratar um personal trainer.


Se você está preocupado com uma possível longa duração da quarentena, saiba que neste aplicativo é impossível fazer todos os exercícios disponíveis. Aqui tem 1300 exercícios diferentes, além de ser possível registrar e monitorar seu desempenho através das semanas. Ele cria um relatório com os resultados do usuário. Este app custa US$4,90.

Para quem não tem smartphone

Mesmo quem não tem smartphone mas tem acesso à internet pelo computador pode encontrar guias e vídeos para exercícios feitos em casa.

Planet Sport Academia


Várias academias estão oferecendo vídeo-aulas para seus alunos continuarem treinando em casa, e essas aulas são abertas ao público em geral. Uma delas é a Planet Sport Academia, mas você também encontra outras no Youtube.
 
Ioga para iniciantes


Para as crianças

Impedidas de ir para a escola e correr com os amiguinhos no recreio e na aula de educação física, a criançada também precisa se exercitar diariamente em casa. Para os pequenos, aqui está um combo de aula de educação física e aula de inglês:

 
Exercício em família

Este vídeo em traz alguns exercícios que você pode fazer com a família inteira. A descrição é em inglês, mas o vídeo é bem autoexplicativo:


 Exercício com o bebê:

 
Aula de dança:

O Youtube está abarrotado de vídeos de aula de dança, basta escolher o ritmo que você prefere. Vai aqui uma sugestão de ritmos fitness:

Nem app e nem vídeo

Se você não quer nenhum aplicativo ou vídeo, você nasceu para usar as melhores listas de exercícios da face da Terra. Essas listas criadas por Neila Rey são fáceis de entender, agradáveis de visualizar e fazem sucesso no mundo todo. Há 1300 listas temáticas à disposição, como lista do Batman, Catwoman, Pokémon e muitas outras. Em homenagem ao coronavírus, acaba de ser divulgada a lista “Fique em casa”. Clique aqui para conferir todas as listas. Você só deve tentar executar essas listas se já estiver familiarizado com os movimentos.




Sou sedentário e preciso de uma atividade física exatamente agora

Se você estava parado até agora e precisa começar a se exercitar, é mais seguro contratar o serviço de um personal trainer ou profissional formado em educação física. Ele ou ela vai te ajudar a executar o movimento da forma correta, sem se machucar. Isso também é ótimo para a economia, já que você vai ajudar um professional autônomo a continuar trabalhando durante essa crise. Peça indicações de amigos ou ligue para academias de sua cidade para encontrar um profissional que esteja trabalhando por chamada de vídeo.

Agora que você ficou bem inspirado, já pode começar a se mexer!


sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Confira 10 dicas para manter a postura correta ao se sentar no trabalho


Para dar conta da grande demanda que a maioria dos profissionais tem, é comum chegar ao trabalho, sentar-se de qualquer jeito e mergulhar no serviço. Mas você já parou para pensar em ergonomia e nas consequências de não adotar uma postura correta para sentar?

Um dos principais riscos ergonômicos das empresas é sentar-se inadequadamente, o que causa dores, cansaço, enxaqueca e queda de rendimento. Sem falar em problemas mais graves, como escoliose e hérnia de disco. Tudo isso pode ser evitado com um hábito simples: adotar a postura correta para sentar.

Danos causados pela má postura

A postura inadequada no ambiente laboral é responsável pelo surgimento de doenças ocupacionais como lesões por esforços repetitivos (LER) e doença osteomuscular relacionada ao trabalho (DORT). Esse hábito também causa lombalgia (lesões na lombar), hipercifose (corcunda) e tendinite.

A má postura também reflete no estado psicológico, aumentando o cansaço e o esgotamento. Não é difícil de entender: quando você senta errado, acaba forçando demais alguns músculos em detrimento de outros.

O resultado é que os músculos se cansam e você passa boa parte do seu dia procurando uma posição mais confortável para se sentar. No entanto, a musculatura que você realmente precisa trabalhar para manter a postura correta fica enfraquecida, e as dores nas costas começam a surgir e a prejudicá-lo física e emocionalmente.

Com os maus hábitos posturais ao sentar, você ainda limita a amplitude dos movimentos, diminui a capacidade pulmonar, interfere negativamente no sistema nervoso e prejudica o funcionamento do intestino.

Postura correta para sentar favorece os órgãos

Além de evitar todos os problemas citados acima, existem outras razões para você prestar atenção em como se senta. A postura correta organiza os músculos, as articulações e o esqueleto. Assim, o corpo como um todo – incluindo os órgãos – funciona adequadamente.

Sentando-se da forma adequada, você favorece, entre outras coisas, a digestão, a respiração, a evacuação, as articulações e os ligamentos. Mas se você “arca” as costas quando se senta, os órgãos localizados na região abdominal ficam comprimidos e exigem que coração e pulmões trabalhem mais.

Como manter a postura correta para sentar

É provável que tenha identificado algumas falhas que comete ao sentar. Para colocar a coluna no lugar e evitar dores no corpo, separamos 10 dicas sobre manter a postura correta ao sentar. Confira!

1. Conheça a anatomia do corpo

O primeiro passo é considerar a fisiologia da coluna, ou seja, sua posição natural. A espinha precisa estar alinhada, respeitando as três curvaturas anatômicas: cervical, torácica (meio das costas) e lombar.

Ao sentar, as costas devem estar eretas, os ombros para trás e os glúteos encostados na parte posterior da cadeira. Manter esse alinhamento requer treino da musculatura de sustentação e por isso pode parecer difícil, mas um pouco de prática e persistência são suficientes para colocar as costas no lugar e evitar fadigas.

2. Distribua o peso

Quando você cruza uma perna sobre a outra ou senta de lado, sobrecarrega um dos quadris; portanto, não faça isso. O peso do corpo precisa ficar distribuído uniformemente para não forçar as articulações.

3. Forme ângulos de 90°

O ideal é que os quadris e os joelhos fiquem flexionados em um ângulo reto. Se você tem dificuldade de alcançar os pés no chão, use um apoio. Nunca deixe de se sentar nessa posição, pois facilita o fluxo sanguíneo e ajuda a distribuir igualmente o peso do corpo, evitando a sobrecarga de determinados músculos ou articulações.

Seus cotovelos também devem seguir essa regra, formando um ângulo de 90° com a estação de trabalho, seja a mesa ou o braço da sua cadeira.

4. Respeite a curvatura da lombar

Manter a espinha ereta não quer dizer que ela precisa ficar 100% reta. Você precisa respeitar as curvas naturais da coluna. Para facilitar, enrole uma toalha de tamanho médio, posicione-a na altura da lombar e se encoste.

5. Use almofadas

Alguns acentos são demasiado duros e passar o dia inteiro sentado pode prejudicar os músculos dos glúteos. Caso isso ocorra com você, coloque uma almofada em sua cadeira para ter mais conforto. Aliás, você também pode substituir a toalha da dica acima por uma pequena almofada, se preferir.

6. Afaste as pernas

O afastamento deve ser leve, seguindo a linha do quadril. Assim você mantém o alinhamento natural do corpo e não força as articulações.

7. Mantenha os ombros para trás

Deixar os ombros caírem para frente é uma tendência que você precisa evitar. Mantenha-os para trás e relaxados para não forçar demais o pescoço. Isso evita dores e tensões musculares.

8. Olhe para o centro do monitor

Você sabia que a cabeça pesa cerca de 5 kg em sua posição normal? E que quando a inclinamos para frente para ler ou escrever o peso sobe para 13 kg por causa da gravidade? Pois é, são esses quilos extras que a sua coluna precisa sustentar se você não mantiver a cabeça na posição correta.

Por isso você precisa ajustar seu monitor para que ele fique na altura ideal. A dica é manter o centro da tela na linha dos seus olhos. Fazendo isso você evita pressões excessivas sobre discos intervertebrais, ligamentos e músculos.

9. Levante-se regularmente

O corpo não foi feito para ficar muito tempo na mesma posição, mesmo que você esteja com a postura correta. Então crie o hábito de se levantar em intervalos de 30 minutos ou 1 hora, movimente-se e faça um alongamento. Vai melhorar sua circulação sanguínea e dar um “ar” para a cabeça.

Você verá que além de mandar as dores embora, isso favorecerá sua concentração. Se for preciso, coloque um alarme para lembrá-lo de se levantar.

10. Não gire o tronco

Cadeiras giratórias são comuns e requerem atenção especial. Quando for mover a cadeira, não torça o tronco, mexa-o como se fosse um bloco único, assim você evita riscos de torções.

Viu como não é difícil? Basta apenas um pouco de autopoliciamento para seguir essas dicas. Pode parecer cansativo no começo, mas não desista! Isso acontece porque os músculos estão enfraquecidos e precisam de um pouco de treino para entrar em forma. Passada essa etapa, você sentirá os benefícios de manter a postura correta para sentar e terá mais qualidade de vida.


terça-feira, 13 de julho de 2021

Por que todos devemos tomar a vacina contra a Covid-19


Desde que a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou a pandemia do novo coronavírus, em março de 2020, laboratórios e pesquisadores se empenharam para descobrir vacinas contra a covid-19. E elas chegaram em tempo recorde (eu ouvi um "amém"!?), mas, com isso, surgiram também muitas dúvidas e notícias falsas sobre os imunizantes. A desinformação é tamanha que a OMS deu o nome de "infodemia" ao ato de disseminar informações falsas sobre a doença e assuntos relacionados.

E quem é que não conhece um "tiozão do pavê" que é craque em espalhar esse tipo de coisa no zap da família, não é mesmo? Mas as vacinas são seguras e eficazes e passaram por um processo sério de testes e aprovação por órgãos competentes antes de serem autorizadas para a população. Mais que isso, são a única forma de prevenção e combate ao vírus Sars-CoV-2.

Se você está numa missão para convencer alguém da família a se vacinar, respire fundo, mantenha a calma e veja alguns argumentos que podem ajudar na hora de conversar com essa pessoa:

Vacinas são seguras sim! Sim, sabemos, é óbvio, mas há toda uma gama de notícias falsas e boatos assustando as pessoas —desde uma suposta mudança no DNA de quem recebe o imunizante até a implantação de um chip (!) de controle que nos transformaria em zumbis. Mas nada disso é verdade. As vacinas contra a covid-19 são de vírus inativado (CoronaVac), vetor viral modificado (Oxford/AstraZeneca, Sputnik e Janssen) ou RNA mensageiro (Pfizer e Moderna), tecnologias consideradas seguras e eficazes para prevenir a doença na maior parte dos casos (e impedir a morte do indivíduo) — sem transformar você em jacaré no processo.

Todas as vacinas disponíveis são eficazes naquilo que se propõem Os "sommeliers" de vacina — aquele que quer escolher qual vai tomar — não são uma exclusividade brasileira e estão espalhados pelo mundo. E isso só faz atrasar a nossa tão sonhada volta ao normal, já que, enquanto não tivermos bons índices de vacinação, o vírus continuará se espalhando de forma descontrolada. Então, vale reforçar que todas as vacinas autorizadas no país são eficazes para aquilo que foram feitas: evitar formas graves da doença e mortes. A melhor vacina para a covid-19 é a que está no seu braço.

A imunidade de rebanho só é alcançada com vacinação A tão falada imunidade coletiva, também chamada de imunidade de rebanho, acontece quando uma grande parte da população está protegida contra o vírus. Mas a ideia vem sendo usada de forma equivocada para defender a contaminação em massa da população —o que é errado, já que a expressão é utilizada pelos médicos no contexto da vacinação coletiva. Ou seja, quem defende a estratégia precisa aderir à vacinação para que ela de fato se torne realidade. Para a covid-19, os especialistas estimam que seja necessário entre 70% e 80% da população vacinada para conter o patógeno; mas, atualmente, cerca de 33% da população brasileira recebeu a primeira dose e apenas 12% estão completamente imunizados —ou com duas doses ou com a vacina de dose única.

Não existe tratamento para a covid-19 Nunca se falou tanto em cloroquina e ivermectina como agora. Mas esses medicamentos não previnem e não funcionam contra a covid-19, de acordo com a ciência —e não devem ser usados nem para o famoso (e falso) "tratamento precoce", nem como tratamento para pacientes graves e intubados. Portanto, as vacinas que estão sendo utilizadas no Brasil e no mundo são a única forma de prevenção da doença.

Mesmo quem já foi contaminado precisa se vacinar Diferentemente do que tem sido dito por algumas pessoas, mesmo quem já teve covid precisa, sim, ser vacinado. Por um simples motivo: com a doença descontrolada, o número de novas variantes continua crescendo e isso aumenta as chances de reinfecção pelo vírus. Por isso, vale reforçar que todo mundo precisa se vacinar —quem teve covid-19 deve esperar 15 dias após o início dos sintomas ou a recuperação clínica para a aplicação.

Pessoas saudáveis também ficam doentes e morrem Sempre tem o colega esportista saudável que vai argumentar, com um sorriso maroto no rosto, que a covid é "só uma gripezinha". E, mais de 500 mil mortos depois, podemos afirmar com certeza que não é bem assim, certo? Isso porque existem muitas variáveis que determinam se um indivíduo terá a forma grave da covid-19 ou não. E isso vai além da faixa etária, das comorbidades, dos suplementos nutricionais ou dos alimentos que você ingere.

Os médicos sabem, por exemplo, que alguns aspectos genéticos da resposta imunológica favorecem esse tipo de evolução mais grave, mas ainda não entendem bem o mecanismo. Traduzindo: qualquer um, qualquer um mesmo, pode precisar de intubação e morrer, e só a vacina pode prevenir isso. As reações adversas não são preocupantes Se você conhece alguma criança pequena, sabe que, depois da aplicação de algumas vacinas, é comum o surgimento de dores no corpo, febre baixa e indisposição. E tudo bem: alguns imunizantes provocam mesmo esse tipo de reação no corpo enquanto este produz os anticorpos, e não há nada de errado nisso.

Então, não faz sentido reclamar desse tipo de coisa com relação às vacinas contra a covid-19, simplesmente porque os efeitos adversos não são graves. E isso nem é regra: cada organismo responde de uma forma à vacinação. Algumas pessoas não vão apresentar reação ou sentirão, no máximo, uma dor no local da aplicação. Os eventos adversos graves são raros O maior medo de muita gente é sofrer com a trombose, evento adverso que foi descrito como muito raro para quem é imunizado com as vacinas de Oxford/AstraZeneca e Janssen. Mas essa possibilidade é muito, muito pequena —estima-se que pode acontecer um caso a cada 250 mil aplicações. Mais: alguns estudos já mostraram que o risco de desenvolver trombos é consideravelmente maior se você for contaminado pelo vírus. Ou seja, estar desprotegido é mais arriscado do que se vacinar.

Grávidas e pessoas imunodeprimidas precisam dessa proteção


Gestantes, puérperas, assim como pessoas em tratamento de câncer ou HIV são considerados grupo de risco e precisam se vacinar —desde que autorizadas pelo médico. As vacinas contra covid-19 não possuem componente vivo e, portanto, podem e devem ser aplicadas em pessoas com doenças que afetam a imunidade. Esses indivíduos, inclusive, são mais propensos a formas graves da doença.

Quanto às gestantes, puérperas e lactantes, a recomendação atual é vaciná-las, sendo que a única ressalva é que os documentos técnicos autorizam o uso dos imunizantes Pfizer e CoronaVac nesse público. Vacina da gripe não protege contra a covid-19.

O importante é que ambas as vacinas sejam aplicadas com intervalo de 14 dias, conforme recomendação do Ministério da Saúde do Brasil.

Uma única dose não é suficiente para imunizar O retorno para a segunda dose no Brasil está baixo —mas, sem ela, não há proteção efetiva. Por isso, quem tomou apenas uma dose do imunizante deve retornar ao posto na data estabelecida para a segunda aplicação, garantindo a total efetividade do imunizante. A exceção é para quem recebeu a vacina da Janssen, feita para ser aplicada em dose única.

Vale lembrar que estudos sobre a imunidade após a infecção pelo Sars-CoV-2 ainda estão em curso.

A OMS já declarou que pessoas mais vulneráveis à infecção pela covid-19 devem se vacinar anualmente como medida de reforço, e a cada dois anos aqueles que não tenham maiores fatores de risco. A fertilidade está protegida.

A fake news mais recente fala sobre a influência das vacinas na fertilidade dos indivíduos. Mas nenhuma das vacinas que foram liberadas teve esse efeito até o momento. Um estudo realizado na Universidade de Miami (EUA) mostrou que a vacina de RNA mensageiro da Pfizer e da Moderna não alteram a qualidade e nem a quantidade de espermatozoides.

Fontes: Newton Bellesi, infectologista e membro do Departamento Científico de Imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia); Daniela Bergamasco, infectologista do HCor (SP); Mariana Margarita Martinez Quiroga, infectologista do Hospital Regional do Baixo Amazonas (PA); Bernardo Porto, infectologista do Hospital de Campanha do Hangar (PA); Ministério da Saúde; Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e OMS (Organização Mundial da Saúde).... -


segunda-feira, 14 de junho de 2021

Anvisa autoriza vacina da Pfizer para adolescentes a partir de 12 anos


A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou na última sexta (11/06/21) que autorizou o uso da vacina da Pfizer contra a covid-19 para adolescentes de 12 anos a 15 anos. O imunizante já estava autorizado para pessoas com 16 anos ou mais. Com a decisão, a bula da vacina passará a indicar a nova faixa etária, a partir de 12 anos.

Segundo a agência, o pedido havia sido feito no dia 13 de maio, e a medida foi aprovada depois que a Pfizer apresentou estudos que indicaram a segurança e eficácia da vacina para este público. Os estudos foram desenvolvidos fora do país e analisados pela agência.

A vacina é a única entre as autorizadas no Brasil com indicação para menores de 18 anos. O uso do imunizante da farmacêutica em adolescentes entre 12 e 15 anos já é permitido nos Estados Unidos desde o dia 10 de maio, quando ocorreu a aprovação da FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos). 

Na Europa, por sua vez, a EMA (Agência Europeia de Medicamentos) liberou a aplicação da dose em maiores de 12 anos depois que a farmacêutica apresentou dados de um estudo com cerca de 2.000 adolescentes, cujo resultado demonstrou segurança e eficácia da vacina. A vacina da Pfizer contra o novo coronavírus foi a primeira a receber o registro definitivo no Brasil, em fevereiro deste ano. 

Fase de testes para crianças

Na última terça-feira (8), a Pfizer anunciou avanço nos testes da vacina contra a covid-19 em crianças de cinco a 11 anos. Segundo a empresa, a pesquisa para o determinado grupo avançou da fase um para a dois, de um total de três fases. Em crianças de seis meses a cinco anos, os testes da fase um ainda estão em andamento.

Quando concluídos os testes, o imunizante vai ter passado pela análise de segurança, tolerabilidade e imunogenicidade — a capacidade do imunizante de levar o corpo a produzir anticorpos contra a doença — num grupo de crianças.

As aplicações do imunizante, desenvolvido em parceria com o laboratório alemão BioNTech, em menores de 12 anos começou no final de março. A farmacêutica afirma que o estudo envolverá um total de 4.500 crianças de seis meses a 11 anos nos Estados Unidos, Finlândia, Polônia e Espanha.

Posteriormente, a Pfizer ainda considera avaliar a vacina para crianças com menos de seis meses.

sexta-feira, 5 de março de 2021

Por que vacinação sem lockdown pode tornar Brasil uma 'fábrica' de variantes superpotentes

CRÉDITO, REUTERS/RICARDO MORAES 

Pesquisadores britânicos apontam que contato em larga escala entre vacinados e variante de Manaus pode gerar mutações capazes de driblar totalmente a eficácia das vacinas.

O cenário atual no Brasil, que combina início da vacinação com transmissão descontrolada da covid-19, pode tornar o país uma "fábrica" de variantes potencialmente capazes de escapar por completo da eficácia das vacinas. Esta é a avaliação de cientistas britânicos diretamente envolvidos em algumas das principais pesquisas sobre mutações do coronavírus.

Pesquisadores da universidade Imperial College London e da Universidade de Leicester ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que lockdowns e outras medidas de contenção são particularmente necessários durante a vacinação de uma população.

Eles explicam que é justamente o contato entre vacinados e variantes que propicia o aparecimento de mutações "superpotentes", capazes de driblar totalmente a ação do imunizante.

E, no Brasil, há uma combinação explosiva para que isso ocorra: vacinação ainda em ritmo lento, variante com a mutação E484k (que dribla anticorpos) e altas taxas de infecção.

Variante de Manaus pode favorecer mutação antivacina


O maior perigo está no contato da variante de Manaus, apelidada de P.1, com pessoas recém-vacinadas, explica o virologista Julian Tang, da Universidade de Leicester, no Reino Unido.



Segundo ele, ao entrar na célula humana e se deparar com uma quantidade ainda pequena de anticorpos da vacina, a variante, ao se replicar, pode promover mutações mas resistentes a esses anticorpos.

"Se você é vacinado numa segunda-feira, você não está imediatamente protegido. Leva algumas semanas para os anticorpos da vacina aparecerem e você ainda pode se infectar pelo vírus original ou pela variante P.1", explica Tang.


CRÉDITO,REUTERS/DIEGO VARA

Brasil bate recordes de mortes em 24 horas - mais de 1,8 mil vítimas de covid-19. Hospitais em Porto Alegre alcançam 100% da ocupação em UTIs (foto).

"Se esses anticorpos da vacina surgem enquanto a infecção está ocorrendo e replicando no seu corpo, o vírus pode se replicar de maneira a evadir o anticorpo que está sendo produzido, num movimento de seleção natural."

Esse movimento é parte do processo de evolução do vírus, que tenta se adaptar a "adversidades". A pessoa vacinada, porém infectada, pode passar o vírus mutante adiante se não houver medidas de controle em vigor, como quarentenas, fechamento de comércio e locais de lazer.

O risco de isso acontecer seria menor se a variante de Manaus não estivesse se espalhando pelo país e se as infecções estivessem sob controle. Isso porque a chance de o vírus original conseguir se fixar em grandes quantidades nas células de uma pessoa vacinada é pequena, já que os imunizantes foram produzidos exatamente para impedir a eficácia dessa ligação.

Mas a mutação E484k, presente na variante de Manaus, afeta exatamente o principal ponto de ligação entre o vírus e as células, tornando o "encaixe" mais eficaz e reduzindo a eficácia dos chamados anticorpos neutralizantes.

Pesquisas preliminares apontam redução da eficácia da vacina Oxford-AstraZeneca contra variantes com a mutação E484K e o Instituto Butatan está pesquisando o impacto delas no percentual de proteção da CoronaVac.

"Se há uma replicação descontrolada do vírus, ou seja, transmissão num ambiente sem regras de distanciamento social, lockdown e uso de máscaras, as pessoas suscetíveis vão se misturar com as vacinadas. Sem barreiras, o vírus pode se transmitir de uma população para outra, potencialmente gerando variantes que escapam à vacina", disse Tang à BBC News Brasil.


CRÉDITO,REUTERS/RICARDO MORAES

Brasil vacinou cerca de 3% da população e ainda negocia vacinas suficientes para atender a todos os habitantes. Em alguns postos de saúde, idosos tiveram que esperar em filas (
foto).

O professor de Saúde Global Peter Baker, da Imperial College London, também afirma que o contato em larga escala de variantes do coronavírus com pessoas vacinadas gera uma "pressão" biológica para que essas variantes evoluam, criando mutações que driblem melhor os anticorpos.

"Isso vai acontecer principalmente se você tiver uma situação de epidemia de grande porte num país com sucesso moderado de vacinação. Você alcança assim o equilíbrio perfeito entre pessoas imunes e infectadas. E, quando essas populações se misturam, há risco de surgir uma nova variante resistente às vacinas", disse à BBC News Brasil.

Descontrole da epidemia no Brasil


O Brasil vivencia exatamente essa confluência entre vacinação em estágio precoce e pico de casos de covid-19. O país superou os Estados Unidos no infeliz recorde de infecções em 24 horas.

Dados publicados nesta quinta-feira (24) pela Organização Mundial da Saúde apontam que foram registrados 59,9 mil casos de covid-19 no Brasil no período de 24 horas. Nos EUA, foram 57,8 mil.

O número de mortes diárias também não para de subir e bater recordes. Na quarta (3), foram registradas 1,8 mil mortes num dia - o maior número desde o início da pandemia. Em mais da metade dos estados brasileiros, a ocupação de leitos de UTI supera 80%.


CRÉDITO,EPA/RAPHAEL ALVES

Brasil tem quase 260 mil mortos por covid-19 
(foto).

Diante do colapso dos sistemas de saúde em vários municípios, governadores decretaram lockdown ou medidas de distanciamento social. Apesar do descontrole de infecções, o presidente Jair Bolsonaro declarou mais uma vez ser contra as restrições.

"No que depender de mim nunca teremos lockdown. Nunca, uma política que não deu certo em lugar nenhum do mundo", afirmou o presidente.

Mas os dados desmentem a fala de Bolsonaro.

No Reino Unido, o lockdown em vigor em todo o país desde o início de janeiro reduziu em dois terços as infecção por covid-19. Em Londres a diminuição foi de 80%, segundo pesquisa da Imperial College London.

"Do ponto de vista científico, fechar fronteiras e implementar quarentenas em casa são eficazes em diminuir a infecções. E há benefícios em reduzir infecções. Você diminui o risco de surgirem variantes, ganha tempo para a campanha de vacinação avançar e para pesquisas concluírem vacinas adaptadas às variantes existentes hoje", diz o professor Peter Baker.

Variante de Manaus pode dominar infecções no país

Além disso, especialistas alertam que, sem medidas de controle, a variante de Manaus pode acabar substituindo o vírus original e se tornar prevalente em todo o território nacional. A P.1 já circula em pelo menos 10 Estados brasileiros, além de ser responsável por quase a totalidade das infecções atuais na capital do Amazonas.

"Sem medidas de controle, P1 vai rapidamente ser o vírus dominante e gerar ondas epidêmicas significativas", disse à BBC News Brasil Charlie Whittaker, pesquisador da Imperial College London.


CRÉDITO,REUTERS/UESLEI MARCELINO

Em Brasília, pessoas fizeram protestos contra lockdown anunciado no final de fevereiro 
(foto).

Um estudo liderado por Whittaker mostrou que a variante de Manaus é entre 1,4 e 2,2 vezes mais transmissível que o vírus original. A pesquisa revela ainda que a P.1 é capaz de evadir o sistema imune de infecções prévias em 25% a 61% dos casos. Ou seja, ela pode provocar reinfecções em indivíduos que já haviam sido contaminados pela covid-19.

E reinfecções são outro ingrediente importante para mutações perigosas, diz Peter Baker, da Imperial College London.

"Quando essas variantes entram em contato com pessoas que já foram infectadas, há uma pressão para que elas mutem mais, encontrem uma maneira de reinfectar pessoas previamente imunizadas", diz.

"A combinação de uma epidemia prévia com uma nova grande epidemia, em que pessoas que já teriam imunidade são reinfectadas, gera um ambiente propenso a mutações. Achamos que isso é o que aconteceu no contexto brasileiro."

Aparição de variantes no Brasil gera risco ao mundo todo

Além de já estar se espalhando pelo território brasileiro, a variante de Manaus já foi detectada em 25 países, apesar de várias nações terem cancelado voos para o Brasil e imposto quarentenas e testes de covid-19 a quem desembarcar vindo do país.

Isso revela que o descontrole da doença num país coloca em risco outras nações.

"Se você deixar o Brasil replicar o vírus de maneira descontrolada, essas variantes podem surgir e viajar para qualquer lugar", diz o virologista Julian Tang, da Universidade de Leicester.

"Se você tem um celeiro de produção de vírus num país, se você não controla a transmissão, vai ter mutação ocorrendo por seleção natural, se essas variantes viajam pelo mundo e algumas delas escapam totalmente ou parcialmente às vacinas, é claro que é um risco."

Os pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que vacinação em massa, combina com medidas de restrição de contato social, como lockdowns, uso de máscaras e fechamento de comércio são importantes para conter altas taxas de infecções e impedir novas mutações, enquanto a imunização avança.

"Ninguém está seguro enquanto todos não estivermos seguros. E garantir que estamos seguros significa limitar a chance de variantes surgirem. Medidas de controle são úteis para alcançar isso, mas talvez mais importante ainda seja garantir uma estratégia global equitativa de vacinação. Isso significa que nenhum país deve ser deixado para trás", defende Charlie Whittaker, da universidade Imperial College London.


quinta-feira, 28 de maio de 2020

Coronavírus e a comunidade médica na linha de frente


O coronavírus é uma doença complexa que pegou o mundo todo de surpresa; essa parece ser uma mensagem unânime entre os médicos das linhas de frente no combate à nova condição.

Depois dos primeiros surtos, principalmente na China e na Itália, e dos primeiros artigos científicos publicados, profissionais de saúde em outros locais tentaram se preparar para potenciais ondas de Covid-19 em seus próprios países.

Com pouco tempo de antecedência e muitas incertezas, a maioria deles sabia que seria difícil e intenso, mas o que veio a seguir se mostrou ainda mais complicado do que podiam imaginar.

A compilação abaixo é uma espécie de resumo do que alguns médicos da linha de frente no Reino Unido sabem (e o que ainda precisamos aprender) sobre como a Covid-19 ataca o corpo humano:

“Acho que a maioria dos médicos esperava um vírus respiratório que causa pneumonia, algo semelhante a doenças como a gripe sazonal em uma escala muito maior”, disse o professor Anthony Gordon, consultor da unidade de terapia intensiva do Hospital St. Mary’s em Paddington, à BBC.

Se o coronavírus fosse uma pneumonia em escala maior, já seria péssimo. O que ficou claro nos dias que se seguiram ao início da epidemia, no entanto, é que essa doença afeta muito mais do que a respiração.

No caso de muitos pacientes críticos, o maior problema da doença se mostra como inflamação e coagulação sanguínea graves a ponto de atacar vários órgãos e se espalhar pelo corpo todo.

“Como médica, às vezes, parece horrível, tivemos tantos pacientes muito, muito doentes, que estão sofrendo essas profundas mudanças em seu corpo. Estamos todos lutando para entender melhor e é absolutamente essencial que façamos mais pesquisas para que possamos compreender o que está acontecendo”, afirmou Beverley Hunt, professora de trombose que trabalha em terapia intensiva em um hospital de Londres.

O enigma do oxigênio

De fato, alguns pacientes com Covid-19 chegam aos hospitais com dificuldade de respiração. Mas muitos dos indivíduos severamente afetados que foram hospitalizados não estavam com falta de ar, e sim tinham problemas em outros órgãos além do pulmão.

Curiosamente, porém, tais pessoas tinham níveis muito baixos de oxigênio, e logo não deveriam estar se sentindo tão bem, explicou Hugh Montgomery, consultor em terapia intensiva no Hospital Whittington em Londres.

Por exemplo, em alguns pacientes com Covid-19, uma medida chamada de saturação de oxigênio (a porcentagem de moléculas de hemoglobina no sangue que carregam oxigênio) chegou a 80% ou bem menos, com os indivíduos funcionando relativamente bem. Isso é alarmante; em muitos casos, os médicos tentam manter essa medida em pelo menos 90% em pacientes que não estão se sentindo bem.

Anthony Gordon acha que essa estranheza pode estar relacionada à inflamação que afeta os vasos sanguíneos dos pacientes. “Está impedindo que o oxigênio entre no sangue, e é isso que leva aos baixos níveis. Mas os próprios pulmões não são tão afetados nos estágios iniciais”, sugere.

Esse é um dos mistérios da doença que precisa ser urgentemente mais pesquisado. Precisamos saber mais para decidir quando o ventilador mecânico é necessário, por exemplo.

A falta de ventiladores era um dos maiores medos dos hospitais do mundo todo no combate ao coronavírus. Esse instrumento parece ter sido essencial para salvar alguns pacientes. Entretanto, certamente não funciona para todo mundo e os médicos ainda não sabem por quê.

Talvez o foco nos pulmões seja o caminho errado no tratamento de alguns pacientes.

“A doença parece passar por estágios diferentes e, portanto, saber mais sobre como usar os aparelhos respiratórios nesses pacientes em diferentes estágios da doença seria algo que espero que aprendamos com o passar do tempo”, observou Barbara Miles, diretora clínica de terapia intensiva no Royal Infirmary em Glasgow.

Níveis sem precedentes de coagulação

Já falamos aqui dos problemas de inflamação e coagulação nos pacientes com Covid-19.

Quando o revestimento dos vasos sanguíneos fica inflamado, é mais provável que o sangue coagule, e o SARS-CoV-2 parece levar a um sangue incrivelmente espesso em alguns dos pacientes mais graves – mais de 25% deles têm coágulos significativos, o que tem se revelado um grande problema.

“Você é muito mais propenso a ter trombose venosa profunda”, esclareceu Hunt, o que geralmente significa um coágulo de sangue na perna. “E embolia pulmonar, quando uma das tromboses venosas profundas viaja pelo corpo e bloqueia o suprimento sanguíneo para os pulmões, aumentando o problema da pneumonia”.

Os coágulos também impedem a circulação adequada do sangue para outros órgãos, como o coração e o cérebro, tornando os pacientes mais propensos a sofrer um ataque cardíaco ou um derrame.

O diferencial do Covid-19, no que se trata de coágulos, é a intensidade dos sinais de alerta.

Por exemplo, a principal proteína que forma coágulos sanguíneos é chamada de fibrinogênio. Normalmente, é encontrada em uma quantidade de dois a quatro gramas por litro no sangue.

“Aumenta um pouco na gravidez, mas o que estamos vendo com a Covid-19 é algo entre 10 a 14 gramas por litro. Nunca vi isso em todos os meus anos como médica”, afirmou Hunt.

O mesmo é observado em outra medida do risco de coagulação, uma proteína do sangue conhecida como dímero D. “Em um paciente saudável, os níveis são medidos em dezenas ou centenas. Com a Covid-19, não é incomum ver níveis de 60, 70 ou 80.000, o que é algo inédito”, complementa Montgomery.

O sistema imunológico vai à loucura

O dímero D também pode ser um sinal de infecção tão grave que leva a uma reação exagerada – e letal – do sistema imunológico.

Em alguns pacientes, os médicos observaram que a Covid-19 provocou o que é conhecido como “tempestade de citocinas”.

As citocinas são pequenas moléculas produzidas pelo corpo como parte de sua defesa contra infecções. Elas levam à inflamação, normalmente até um certo nível que é bom para você; é isso que permite que seu corpo lute contra uma doença.

“O problema é quando há uma liberação maciça desses marcadores. Isso causa inflamação ainda mais excessiva, o que leva não apenas aos problemas respiratórios dos quais falamos, mas danos aos outros órgãos do corpo”, esclarece Gordon.

É por esse motivo que alguns dos estudos com pacientes graves têm focado no sistema imune e no número de células T, importantes células sanguíneas desse sistema, que parece diminuir drasticamente durante a tempestade de citocinas. A ideia é que o aumento do número de células T possa ajudar na recuperação de algumas pessoas.

O coronavírus é uma doença multissistemica

Tudo que discutimos até agora se resume a essa afirmação: a Covid-19 é uma doença multissistêmica altamente imprevisível.

Em outras palavras, ela ataca partes diferentes do corpo humano em pessoas diferentes, e isso torna muito difícil para os médicos saberem a melhor forma de tratá-la individualmente.

“Não são apenas os pulmões, são os rins, o coração, o fígado. Também vimos músculos severamente inflamados que causam muitos danos. Mais de 2.000 pacientes de Covid-19 admitidos em terapia intensiva sofreram insuficiência renal”, disse Montgomery.

Em um número crescente de pacientes, o cérebro também se tornou motivo de preocupação. “Agora sabemos que um grande número de pacientes está tendo uma inflamação significativa do cérebro”, adiciona Montgomery. “A inflamação apresenta de tudo, desde delírio e confusão até ataques e o que chamamos de encefalite difusa”.

São muitos desafios, e a verdade é que ainda não sabemos exatamente por que e como todas essas diferentes partes do corpo são afetadas.

Quem a doença afeta e por que

Além da confusão de sintomas, há a confusão de quem é mais propenso a ser severamente afetado pela doença.

Por exemplo, é surpreendente que as condições subjacentes mais comuns envolvidas com a Covid-19 não sejam problemas respiratórios, como asma, e sim condições vasculares que afetam as veias e as artérias, como pressão alta, diabetes e doenças cardíacas, além de fatores como sexo, obesidade e idade.

De acordo com o Centro Nacional de Pesquisa e Auditoria em Terapia Intensiva do Reino Unido, mais de 70% dos pacientes internados em unidades de terapia intensiva na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte são do sexo masculino e têm sobrepeso ou obesidade. Mais de dois terços dos que morreram têm mais de 60 anos.

Esses parecem ser fortes fatores de risco, mas ainda não explicam inteiramente por que tantas pessoas infectadas têm apenas sintomas leves ou até mesmo nenhum sintoma, enquanto outras ficam perigosamente doentes muito rapidamente.

Mesmo nas unidades de terapia intensiva (UTIs), os pacientes apresentaram condições muito diferentes.

“Podemos ter um paciente na casa dos 70 anos com insuficiência respiratória que só precisa de um pouco de ajuda com um ventilador. E podemos ter um paciente na casa dos 20 anos que desenvolva falência de múltiplos órgãos muito rapidamente”, disse Ron Daniels, consultor de terapia intensiva em hospitais de Birmingham.

Estudos, estudos e mais estudos

Infelizmente, não teremos respostas corretas ou definitivas para essa nova doença enquanto não completarmos grandes testes clínicos ao longo dos próximos meses.

A boa notícia é que muitos já estão sendo conduzidos – 41 estudos de “prioridade nacional” estão sendo financiados somente no Reino Unido.

Mas não é possível apressar as coisas. Sim, já sabemos que insuficiência pulmonar é a maior causa de mortes por Covid-19 em terapia intensiva, mas não é a única e isso significa que um tratamento padrão pode não ser a melhor coisa para essa doença. Os médicos precisam criar todo um novo procedimento de como lidar com a Covid-19 dependendo de inúmeros fatores envolvidos.

“Tem sido quase medieval”, explicou Hunt. “Os melhores médicos de UTI do país tiveram que fazer palpites sobre uma doença que nunca haviam encontrado antes. Durante a maior parte do tempo, eles tiveram que basear seus medicamentos na observação, e não no conhecimento adquirido em experiências anteriores e nos dados existentes”.

“Aprendemos muito e o trabalho em equipe foi incrível, mas difícil. Às vezes cheguei em casa pensando que realmente não sabia se o que fiz hoje foi a coisa certa. Estamos tendo que aprender em alguns meses o que aprendemos ao longo de centenas de anos para outras doenças, e isso tem sido um desafio real”, concluiu Gordon, que trabalha em terapia intensiva há mais de 20 anos. [BBC]


domingo, 24 de maio de 2020

Funko lança linha de bonecos para homenagear médicos e enfermeiros

A Funko anunciou hoje o lançamento de uma nova linha de bonecos como forma de homenagear os médicos e enfermeiros que tem se arriscado no combate ao coronavírus.

Dos bonecos vendidos um valor, não divulgado, será convertido em doação à GlobalGiving, organização beneficenteque busca conectar ONGs com doações e empresas ao redor do mundo.

Confira os modelos:

Ao todo são 4 modelos e já estão disponíveis em pré-venda no site da Amazon com o preço de US$10,99.


sábado, 23 de maio de 2020

Cloroquina: estudo definitivo em 100 mil pacientes encerra a questão sobre sua eficácia


Um novo estudo com quase cem mil pacientes de Covid-19 não mostrou qualquer benefício no tratamento com medicamentos antivirais cloroquina e hidroxicloroquina e, na realidade, aumentou a probabilidade de que morressem no hospital.

Hidroxicloroquina e cloroquina são comumente usados no tratamento da artrite e malária, mas figuras públicas em seus pronunciamentos, incluindo o presidente do Brasil – Jair Bolsonaro – anunciou a fabricação em massa do medicamento e sua aplicação pelo SUS.

A cloroquina pode produzir efeitos colaterais que podem ser graves como arritmia cardíaca.

Os autores de um novo estudo publicado sexta-feira na revista científica The Lancet disseram ter observado que tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina não tiveram efeito positivo no tratamento de pacientes hospitalizados por coronavírus.

Ao analisarem os prontuários de 96 mil pacientes tratados em centenas de hospitais, eles confirmaram que a administração destas drogas realmente aumenta o risco de óbito.

Eles também chegaram a comparar quatro diferentes grupos: pacientes tratados exclusivamente com hidroxicloroquina, aqueles tratados com cloroquina e também dois grupos que receberam os mesmos medicamentos combinados com antibióticos.

A comparação foi feita também com um grupo controle: pacientes que não receberam nenhum destes tratamentos.

Cerca de 9% dos pacientes no grupo de controle foram a óbito. Dos que foram tratados apenas com hidroxicloroquina ou apenas com cloroquina, 18% e 16,4%, respectivamente, morreram.

O grupo que recebeu cada droga juntamente com antibióticos teve taxas de óbito ainda maiores: 22,8% (cloroquina) e 23,8% (hidroxicloroquina).

Os autores concluíram que a cloroquina e hidroxicloroquina aumentam o risco de morte dos pacientes de Covid-19 em 45% em comparação a problemas de saúde subjacentes.

“O tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina não beneficia pacientes com Covid-19”, afirmou Mandeep Mehra, o principal autor deste estudo e diretor do Brigham and Women’s Hospital Center for Advanced Heart Disease, em Boston, EUA.

“Em vez disso, nossas descobertas sugerem que pode estar associado a um risco maior de problemas cardíacos graves e aumento do risco de morte”.

O ministro da Saúde do Brasil recomendou na quarta-feira o uso de cloroquina e hidroxicloroquina para tratar até casos leves de Covid-19. Apesar do entusiasmo de Bolsonaro em usar a cloroquina para o tratamento com Covid-19, além do medicamento não ser benéfico ele piora significativamente as chances de sobrevivência dos pacientes.

A Grã-Bretanha encomendou 35 milhões de libras (R$ 237 milhões) em hidroxicloroquina, apesar de inúmeros estudos mostrarem sua ineficácia no tratamento do Covid-19.

“Vários países defenderam o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, isoladamente ou em combinação, como tratamentos potenciais para o Covid-19”, disse Frank Ruschitzka, diretor do Centro do Coração do Hospital Universitário de Zurique que foi co-autor do estudo.

“Agora sabemos em nosso estudo que a chance de que esses medicamentos melhorem os resultados no Covid-19 é muito baixa”.


terça-feira, 28 de abril de 2020

Novos sintomas do Covid-19 podem ter sido descobertos


Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA adicionaram recentemente seis novos possíveis sintomas ligados ao Covid-19, ecoando as observações de médicos que trataram milhares de pacientes na atual pandemia.

Anteriormente, o site do órgão federal americano só listava três sintomas: febre, tosse e falta de ar.

Agora, contam como possíveis sinais da doença também: calafrios; agitação repetida com calafrios; dor muscular; dor de cabeça; dor de garganta e perda repentina de paladar ou olfato.

A lista atualizada destina-se a refletir de forma mais adequada a imensa variação e imprevisibilidade de sintomas dessa condição, que afeta pacientes de formas muito diferentes.

CDC e OMS

A revisão do CDC diferente ligeiramente da lista de sintomas descritos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

No site da OMS, considera-se como sintomas mais comuns febre, tosse seca e cansaço, enquanto alguns pacientes também podem exibir dores físicas, congestão nasal, dor de garganta e diarreia.

Ambas as agências recomendam que as pessoas procurem ajuda médica se tiverem dificuldade em respirar ou dor persistente no peito.

O CDC também aconselha reportar possíveis casos de coronavírus se houver testes positivos; se o paciente tiver um dos três principais sintomas (tosse, dificuldade para respirar ou falta de ar); se o paciente tiver dois dos sintomas menos comuns (febre, calafrios, arrepios, dores musculares, dor de cabeça, dor de garganta ou perda repentina de paladar e olfato).

Os casos que caem nessas categorias só devem ser classificados como Covid-19 se não houver nenhum outro diagnóstico possível. [NYTimes]


quarta-feira, 22 de abril de 2020

Cientistas: o coronavírus já passou por mutação para mais de 30 cepas


Um novo estudo divulgado na publicação medRxiv, ainda não revisado pelos pares, identificou que diferentes cepas do SARS-CoV-2 podem gerar cargas virais muito diferentes. O novo coronavírus, causador da Covid-19, pode já ter passado por mais de 30 mutações. Desse total identificado pelos pesquisadores no estudo, 19 ainda não haviam sido relatadas.

Os pesquisadores analisaram amostras do vírus encontrado em 11 pacientes de Covid-19 escolhidos de forma aleatória em Hangzhou. Pela primeira vez, evidencias de laboratório confirmaram que algumas mutações podem ser mais fatais do que outras. Uma das cepas parece gerar carga viral 270 vezes maior.

A diferença torna mais difícil combater infecções e facilita a disseminação. Essa é uma possível explicação de porque alguns casos da doença são significativamente mais graves do que outros.

A autora líder do estudo é a epidemiologista chinesa, Li Lanjuan, pesquisadora da Universidade de Zhejiang. Na publicação os pesquisadores escreveram que o novo coronavírus passou por mutações capazes de mudar potencialmente a intensidade com que afeta o sistema imune.
Análise

Para o estudo, foi medida em laboratório a velocidade e eficiência com a qual diferentes cepas do vírus conseguiriam infectar e matar células hospedeiras.

Com a análise de surtos da doença pelo mundo, os cientistas também identificaram que os tipos do novo vírus mais letais identificados nos pacientes da pesquisa também foram encontrados em grande parte dos pacientes da Europa. Por outro lado, as cepas com letalidade média foram encontradas em partes dos Estados Unidos, como Washington.

Mas a cepa mais fraca não representa menor risco, de acordo com a publicação. Dois pacientes do estudo que a contraíram tiveram sintomas graves da doença, ambos sobreviveram. Para os pesquisadores, a questão é complexa porque a taxa de recuperação depende de diversos fatores.

Como os resultados foram obtidos a partir do estudo de uma pequena quantidade de pacientes, a líder da pesquisa considera que isso indica que a diversidade de cepas do vírus ainda é subestimada. A pesquisa usou um método de sequenciamento genético mais sofisticado do que o empregado em outras pesquisas. Isso permite identificar mudanças que podem ter passado despercebidas em abordagem convencional.

Os cientistas ainda consideram que, embora urgente, o desenvolvimento de vacinas e medicamentos precisam levar as mutações em consideração.


terça-feira, 21 de abril de 2020

Veja os 7 erros mais comuns na hora de usar a máscara na prevenção ao Coronavírus

Colocar a máscara no rosto para andar pelas ruas virou rotina para o brasileiro que precisa garantir alguma proteção contra o coronavírus, ao sair de casa. No entanto, a manipulação do acessório, indispensável aos tempos de pandemia, ainda não é costumeira. E é por isso que muita gente, sem saber, está se colocando em risco ao cometer erros como levar as mãos ao tecido ou usar a mesma máscara por mais tempo do que o permitido. 

A infectologista Raquel Muarrek, da Rede D'or, dá sete dicas para cuidar da máscara. Veja quais são:

Tempo de uso 

- Máscaras cirúrgicas só devem ser usadas por até duas horas. Depois disso, devem ser descartadas.
- Máscaras de pano podem ser trocadas entre duas a quatro horas de uso.
- Máscaras N 95, de uso hospitalar, podem ser usadas por até 15 dias. Depois disso, devem ser descartadas. 

Manipulação 

- Evite tocar no tecido da face ao colocar e retirar o acessório. O ideal é tocar somente no elástico. 
- Atenção ao lado correto na hora de recolocar as máscaras de pano. O indicado é dobrá-las com o lado que toca o rosto virado para dentro.

Higienização 

- Máscaras de pano devem ser lavadas com água e sabão a cada uso. Para garantir a morte dos microorganismos, podem ser deixadas de molho em uma solução com água sanitária e passadas a ferro dos dois lados. 


sábado, 18 de abril de 2020

Medicamento experimental contra Covid-19 apresenta resultados animadores

Pesquisas estão em andamento na busca por vacina e tratamentos contra a Covid-19, para a qual ainda não existe terapia aprovada. Um dos medicamentos em teste é o remdesivir. Os resultados obtidos até agora mostram apenas um vislumbre da efetividade.

A droga foi uma das primeiras consideradas como potencial tratamento para a doença e está sendo testada no hospital de Chicago que trata pacientes graves da Covid-19. O mesmo teste é realizado em outras instituições.

Os pacientes que receberam o tratamento em Chicago apresentaram rápida recuperação da febre e sintomas respiratórios e quase todos os pacientes receberam alta em menos de uma semana. As informações foram divulgadas pela STAT News depois de ter acesso a vídeo de conversa sobre o teste.

O antiviral é produzido pela empresa de biofarmacologia Gilead Sciences localizada na Califórnia. A Universidade de Medicina de Chicago recrutou 125 pessoas com diagnóstico de Covid-19 para a fase 3 da Gilead. Desse total, 113 tinham sintomas graves. Os pacientes foram tratados com infusões diárias de remdesivir.

A especialista em doenças infecciosas da Universidade de Chicago, Kathleen Mullane, que supervisiona o estudo para o hospital foi citada pela STAT News. Ela disse que a melhor notícia é que a maioria dos pacientes já recebeu alta. A maior parte deles deixa o hospital em seis dias, isso diz que a duração do tratamento não precisa ser de dez dias. Duas pessoas faleceram.

Em nota, a Gilead disse que nesse momento pode dizer que espera por dados de estudos em andamento. O medicamento feito pela empresa teve pouco sucesso quando testado para Ebola. Mas estudos em animais mostraram que a droga pode tanto prevenir quanto tratar o coronavírus. Estudos in vitro demonstraram a ação contra o SARS-CoV e MERS-CoV, mais recentemente também contra o SARS-CoV-2, causador da Covid-19.

Tratamento da Covid-19

A Organização Mundial da Saúde falou em fevereiro que o medicamento mostrou ter potencial para tratar a Covid-19. O remdesivir é um dos quatro tratamentos escolhidos para o programa Solidarity da organização. Esse teste clínico internacional busca evidências identificar se os fármacos retardam o avanço da doença ou melhoram a sobrevivência. Nenhum tratamento tem conclusões claras até o momento.

Como o teste do remdesivir em Chicago não inclui um grupo de controle é difícil afirmar que o medicamento realmente ajuda na recuperação dos pacientes. A Gilead patrocina o teste em 2,4 mil pacientes com sintomas graves da Covid-19 em 152 locais em diversas partes do mundo. O medicamento também está em teste com 1,6 mil pacientes com sintomas moderados em 169 hospitais e clínicas.

A empresa falou à CNN que é preciso analisar os dados em sua totalidade para poder chegar a conclusões em relação ao teste. Essas particularidades sobre os testes, embora encorajadoras, não têm poder estatístico suficiente para determinar a segurança ou efetividade do remdesivir como tratamento da Covid-19.

Mais resultados sobre o remdesivir foram divulgados no New England Journal of Medicine. A publicação apresenta a análise de dados de 53 pacientes com Covid-19 nos Estados Unidos, Canadá e Japão. Desse total, 30 pacientes contavam com suporte de ventilação mecânica. De acordo com a publicação, 68% dos pacientes apresentaram melhora clínica. Dos pacientes participantes, sete faleceram. A análise foi realizada com base em dez dias de administração do medicamento experimental. 


terça-feira, 7 de abril de 2020

Por que o coronavírus mata algumas pessoas jovens e aparentemente saudáveis?

Menina de 12 anos morre vítima do coronavírus na Bélgica | Mundo | G1

Nós já sabemos há um tempo que o COVID-19, a doença causada pelo coronavírus descoberto na China no final do ano passado, afeta principalmente idosos e pessoas com condições de saúde pré-existentes – mas não somente esses indivíduos.

Fica cada vez mais claro que jovens saudáveis podem ser infectados, ter sintomas graves e até mesmo falecer em decorrência desse vírus. Por quê?

Por que estes jovens– e por que apenas alguns – se tornam vítimas fatais?

Dados no Brasil: quais as estatísticas sobre os fatores de risco?

Segundo o Ministério da Saúde, até as 17h00 de 5 de abril, havia 11.130 casos confirmados de COVID-19 no Brasil, com 486 óbitos – uma taxa de mortalidade de 4,4%.
O último boletim epidemiológico divulgado na noite de sexta-feira (3) pelo governo veio acompanhado também de um detalhamento do perfil das vítimas fatais investigadas até o momento – no caso, 286 delas.

Destas vítimas, 165 (57,7%) eram do sexo masculino, e 242 (85%) tinham 60 anos ou mais. Dito isto, uma pessoa da faixa etária de 6 a 19 anos, 13 pessoas da faixa etária de 20 a 39 anos e 30 pessoas da faixa etária de 40 a 59 anos faleceram também.
Além disso, 82% dos óbitos tinha uma comorbidade associada. A cardiopatia foi a principal comorbidade associada, presente em 164 dos óbitos, seguida da diabetes (em 114 óbitos), pneumopatia (45) e doença neurológica (30). Em todos os casos, a maioria dos indivíduos tinha 60 anos ou mais. Novamente, dito isto, 18% das vítimas não tinham condições de saúde subjacentes.

…e o mistério

O COVID-19 de fato afeta mais seriamente pessoas idosas e com doenças cardíacas, pulmonares ou diabetes. Pode ser que elas possuam sistemas imunológicos mais fracos, incapazes de lutar eficazmente contra a condição, permitindo que o vírus se replique mais facilmente, sobrecarregando o corpo e causando falência de órgãos.

Mas e as pessoas saudáveis e sem condições pré-existentes, como o americano Ben Luderer, de 30 anos, que ficou doente e faleceu em sua própria casa de repente?

Em Recife (PE), Viviane Albuquerque (foto), de 33 anos, estava grávida, na 32ª semana e não resistiu a Covid-19. O bebê foi retirado por meio cesariana e está na UTI.

Embora pessoas mais jovens tenham uma probabilidade significativamente menor de morrer, um padrão incomum parece estar surgindo.

“Você sabe que há tantas pessoas que se saem bem e outras que apenas… Bingo! Precisam de um respirador, de um ECMO (uma máquina cardiopulmonar) e estão mortas”, disse o Dr. Anthony Fauci à CNN. “Quero dizer, há algo sobre a patogênese que não estamos vendo. Eu não acho que seja apenas se você é idoso ou tem condições subjacentes. Há algo mais acontecendo aqui que, com sorte, descobriremos eventualmente”.

As possibilidades

Os pesquisadores têm algumas ideias sobre o que poderia estar por trás destas mortes misteriosas. Eles estudaram o que diferencia casos leves de graves e uma hipótese, por exemplo, é que tenha algo a ver com nossos genes, como uma variação no gene ACE2.

A ACE2 é uma enzima que se liga à superfície de células nos pulmões e no coração. O imunologista Dr. Philip Murphy, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, disse à Science que “variações no gene ACE2 que alteram o receptor poderiam tornar mais fácil ou mais difícil para o vírus entrar em células pulmonares”.

Outra possibilidade é que um ingrediente crítico produzido pelo corpo – o surfactante que permite a melhor expansão e contração dos pulmões – diminui em alguns pacientes infectados. Isso torna o pulmão mais duro e menos flexível e pode ser a causa das dificuldades respiratórias de alguns pacientes, mesmo depois de serem colocados em respiradores.

Por fim, outro campo de pesquisa é tentar entender melhor como o sistema imunológico de cada pessoa responde a quaisquer vírus e bactérias. Alguns jovens saudáveis podem ter sistemas muito ativos, o que leva a uma resposta inflamatória massiva que sobrecarrega os pulmões e outros órgãos. Nestes casos, o problema não seria um sistema enfraquecido, e sim exatamente o contrário. Alguns médicos creem que é por isso que esteroides, ou supressores do sistema imunológico, parecem oferecer benefícios para algumas pessoas.

Fiquem em casa, por favor!

Outra hipótese que pode explicar estes casos misteriosos é que algumas pessoas jovens e saudáveis pensam que não são vulneráveis ao vírus e continuam vivendo normalmente, talvez ficando expostas a cargas virais muito grandes.

Ainda levará muito tempo para os cientistas compreenderem a patologia suficientemente bem, ou desenvolver uma vacina, logo, todas as pessoas – não somente aquelas nos grupos de risco – devem seguir as recomendações de prevenção ao COVID-19, por hora.

Ou seja, ficar em casa o máximo possível, manter distância física de 2 metros das outras pessoas, higienizar bem as mãos e evitar tocar o rosto. [CNN, Época]