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sábado, 18 de abril de 2020

Medicamento experimental contra Covid-19 apresenta resultados animadores

Pesquisas estão em andamento na busca por vacina e tratamentos contra a Covid-19, para a qual ainda não existe terapia aprovada. Um dos medicamentos em teste é o remdesivir. Os resultados obtidos até agora mostram apenas um vislumbre da efetividade.

A droga foi uma das primeiras consideradas como potencial tratamento para a doença e está sendo testada no hospital de Chicago que trata pacientes graves da Covid-19. O mesmo teste é realizado em outras instituições.

Os pacientes que receberam o tratamento em Chicago apresentaram rápida recuperação da febre e sintomas respiratórios e quase todos os pacientes receberam alta em menos de uma semana. As informações foram divulgadas pela STAT News depois de ter acesso a vídeo de conversa sobre o teste.

O antiviral é produzido pela empresa de biofarmacologia Gilead Sciences localizada na Califórnia. A Universidade de Medicina de Chicago recrutou 125 pessoas com diagnóstico de Covid-19 para a fase 3 da Gilead. Desse total, 113 tinham sintomas graves. Os pacientes foram tratados com infusões diárias de remdesivir.

A especialista em doenças infecciosas da Universidade de Chicago, Kathleen Mullane, que supervisiona o estudo para o hospital foi citada pela STAT News. Ela disse que a melhor notícia é que a maioria dos pacientes já recebeu alta. A maior parte deles deixa o hospital em seis dias, isso diz que a duração do tratamento não precisa ser de dez dias. Duas pessoas faleceram.

Em nota, a Gilead disse que nesse momento pode dizer que espera por dados de estudos em andamento. O medicamento feito pela empresa teve pouco sucesso quando testado para Ebola. Mas estudos em animais mostraram que a droga pode tanto prevenir quanto tratar o coronavírus. Estudos in vitro demonstraram a ação contra o SARS-CoV e MERS-CoV, mais recentemente também contra o SARS-CoV-2, causador da Covid-19.

Tratamento da Covid-19

A Organização Mundial da Saúde falou em fevereiro que o medicamento mostrou ter potencial para tratar a Covid-19. O remdesivir é um dos quatro tratamentos escolhidos para o programa Solidarity da organização. Esse teste clínico internacional busca evidências identificar se os fármacos retardam o avanço da doença ou melhoram a sobrevivência. Nenhum tratamento tem conclusões claras até o momento.

Como o teste do remdesivir em Chicago não inclui um grupo de controle é difícil afirmar que o medicamento realmente ajuda na recuperação dos pacientes. A Gilead patrocina o teste em 2,4 mil pacientes com sintomas graves da Covid-19 em 152 locais em diversas partes do mundo. O medicamento também está em teste com 1,6 mil pacientes com sintomas moderados em 169 hospitais e clínicas.

A empresa falou à CNN que é preciso analisar os dados em sua totalidade para poder chegar a conclusões em relação ao teste. Essas particularidades sobre os testes, embora encorajadoras, não têm poder estatístico suficiente para determinar a segurança ou efetividade do remdesivir como tratamento da Covid-19.

Mais resultados sobre o remdesivir foram divulgados no New England Journal of Medicine. A publicação apresenta a análise de dados de 53 pacientes com Covid-19 nos Estados Unidos, Canadá e Japão. Desse total, 30 pacientes contavam com suporte de ventilação mecânica. De acordo com a publicação, 68% dos pacientes apresentaram melhora clínica. Dos pacientes participantes, sete faleceram. A análise foi realizada com base em dez dias de administração do medicamento experimental. 


segunda-feira, 6 de abril de 2020

Confira: Bolhas de Sabão Gigantes


Físicos da Universidade Emory (EUA) utilizaram seu tempo da melhor maneira possível e fizeram um favor para a humanidade: determinaram a receita perfeita para criar as maiores bolhas de sabão já vistas.

Ciência séria

Quando digo que os físicos usaram bem seu tempo, não estou sendo sarcástica. Bolhas de sabão podem parecer inúteis, mas a ciência subjacente a elas é complexa e antiga – já nos anos 1800, o físico belga Joseph Plateau delineou quatro leis básicas de tensão superficial que determinam a estrutura das películas de sabão.

E esse campo de estudo não permaneceu parado desde então. Em 2016, físicos franceses criaram um modelo teórico do mecanismo pelo qual bolhas de sabão se formam quando sopramos ar através de uma película de sabão.

Eles descobriram que certa velocidade de sopro é necessária para as bolhas se formarem, o que depende da largura do jato de ar. Se ele for muito largo, o limiar para a formação de bolhas é menor e elas serão maiores que as produzidas for jatos mais estreitos.

Já em 2018, matemáticos da Universidade de Nova York (EUA) determinaram a melhor fórmula para soprar bolhas de sabão perfeitas: usar um objeto circular com um perímetro de 3,8 centímetros e soprá-lo gentilmente a 6,9 cm/s. 

Qualquer coisa diferente disso causava o estouro da bolha.

Bolhas gigantes

E se você quiser criar bolhas de sabão gigantes? Qual o melhor método e a melhor fórmula? Agora sabemos, graças a Justin Burton e seus colegas da Universidade Emory.

Eles descobriram que a chave para alcançar tamanhos enormes são polímeros de vários comprimentos que permitem que as bolhas se estiquem sem quebrar.

Chegar neste ponto foi um caminho longo, no entanto. Burton se interessou pelo assunto pela primeira vez enquanto estava em Barcelona para uma conferência e viu artistas de rua criando bolhas de sabão gigantes e supercoloridas.

O efeito das cores é devido a padrões de interferência gerados quando a luz reflete nas duas superfícies da película de sabão. Burton chegou à conclusão de que a espessura do sabão devia ser de apenas alguns mícrones, o equivalente ao comprimento de onda da luz.

Surpreso com o fato de uma membrana de sabão permanecer intacta quando esticada em uma bolha gigante, o físico decidiu fazer seus próprios experimentos, tanto em laboratório quanto em seu próprio quintal.

Metodologia

Burton pesquisou na internet as receitas favoritas das pessoas para fazer bolhas de sabão e descobriu que elas normalmente incluíam um polímero, como guar natural (um aditivo alimentar comum) ou um lubrificante médico como polietileno glicol.

Em seguida, começou a testar essas receitas enquanto media a velocidade e a dinâmica do processo de criação das bolhas.

Confirmando a sabedoria popular, Burton e seus colegas concluíram que fios poliméricos eram a chave para produzir bolhas gigantes. “Os fios de polímero ficam emaranhados, como uma bola de pelo, formando fios mais longos que não se separam. Na combinação certa, um polímero permite que uma película de sabão alcance um ‘ponto ideal’ que é viscoso, mas também elástico”, explicou o físico.

Outra conclusão importante foi que variar o comprimento dos fios de polímero resultava em uma película de sabão mais resistente. “Polímeros de tamanhos diferentes tornam-se ainda mais emaranhados que polímeros de tamanho único, reforçando a elasticidade do filme. Essa é uma descoberta fundamental da física”, completou Burton.

Um artigo descrevendo o processo foi publicado na revista científica Physical Review Fluids. [ArsTechnica]


quinta-feira, 5 de março de 2020

Experimento científico com pão branco mostra a importância da higiene pessoal

Com o inverno do hemisfério norte batendo à porta e a temporada de gripe aberta, dois educadores americanos resolveram realizar um experimento muito interessante com seus alunos.

O especialista em comportamento infantil Jaralee Metcalf e a professora de educação especial Dayna Robertson, que trabalham com alunos autistas do jardim de infância até a sexta série, descobriram o experimento no site do Hospital Infantil C. S. Mott. Ele se chama “Quão limpas estão suas mãos?”.

Os resultados são certamente surpreendentes.

A importância da higiene

O objetivo da experiência científica era ensinar aos alunos a importância da higiene para evitar o espalhamento de germes e doenças.

O que os professores fizeram foi abrir um saco de pão branco de forma e submeter algumas fatias a condições diferentes: uma delas não foi tocada e foi imediatamente colocada em um saco e selada. A outra foi tocada por todos os estudantes, sem que eles tivessem lavado as mãos.

A terceira foi tocada por todos os estudantes depois de eles lavarem as mãos com água e sabão. A quarta depois de todos limparem as mãos com antisséptico. Por fim, a última fatia foi esfregada nos computadores da sala de aula (que não estavam limpos).

Confira os resultados, depois de 3 a 4 semanas:

Intocado

Tocado com mãos sujas

Tocado com mãos lavadas

Tocado com antisséptico

Esfregado nos computadores

Impactante

Todos ficaram surpresos quando mofo começou a se formar em algumas fatias em apenas alguns dias.

Segundo os educadores, o experimento funcionou.

“Os estudantes estavam muito envolvidos, geralmente fazem experimentos práticos. Como os resultados foram tão chocantes, os alunos e a equipe deram uma virada muito séria em direção a uma melhor higiene. Alunos de diferentes salas de aula de toda a escola vieram à nossa turma para olhar o pão mofado e aprender sobre a lavagem das mãos”, contou Metcalf.

Até eu estou indo lavar a mão agora. Já volto! [BoredPanda]


domingo, 1 de março de 2020

Porque a Teoria do Big Bang é aceita pela comunidade cientifica?


A Teoria do Big Bang é o modelo científico que explica como o universo chegou a ser como é agora, como ele já foi, e como será no futuro. Mas como é que a ciência pode ter certeza de que o Big Bang aconteceu e vem acontecendo? Que é real? Afinal de contas, ninguém estava lá para ver o Big Bang ocorrer, e ninguém está recriando Big Bangs em laboratório para estudar como ele acontece.
Mas não precisamos testemunhar um evento para saber que ele aconteceu; basta examinar os vestígios dele.

Um caçador, por exemplo, examina o solo em busca de pegadas. Examinando-as, ele descobre de qual animal é, suas características e quanto tempo faz que passou por ali – sem precisar vê-lo. Semelhante coisa fazem os astrofísicos. Eles examinam o céu e encontram as marcas dos eventos passados, marcas que aprendemos a ver e a interpretar no último século, e que nos ajudam a contar a fascinante história do nosso universo.

Escuridão do céu, à noite – Paradoxo de Olbers

Esta não é tanto uma prova do Big Bang, quanto uma prova que o universo não pode ser infinito e eterno.
Se o universo fosse infinito, homogêneo e eterno, então para onde quer que você olhasse, a linha da visão iria encontrar uma estrela. Alguns astrônomos fizeram as contas e chegaram à conclusão de que, se fosse assim, o céu noturno deveria ser tão brilhante quanto a superfície de uma estrela. Só que ele é escuro.

O Paradoxo de Olbers é o resultado de se assumir premissas falsas: ou o universo não é infinito, ou ele não é eterno, ou ele não é nem eterno, nem infinito.

O universo está em expansão

A primeira evidência de que o Big Bang é a explicação mais correta para o universo é a sua expansão. Na década de 1920, os astrônomos começaram a perceber que as nebulosas espirais eram na verdade outras galáxias, e estavam se afastando.

A conclusão mais lógica é que, se agora as galáxias estão distantes e se afastando, se voltarmos no tempo elas ficarão mais próximas, e quanto mais voltarmos no tempo, mais próximas elas estarão.

Esta é uma evidência forte do evento. Só que existem alguns cenários (ou hipóteses, se preferir) que podem explicar um universo em expansão, sem incluir um Big Bang. Precisamos de mais evidências.

A radiação cósmica de fundo

Se considerarmos que a explicação para a lei de Hubble seja a expansão do universo, qual a consequência imediata disto? Em algum momento do passado, o universo estava extremamente denso e quente. E para onde este calor foi, se é que existiu?

Em todo o lugar. Depois de bilhões de anos de expansão, a radiação de calor original, que era na faixa do ultravioleta, está deslocada para o vermelho até a faixa do micro-ondas. Esta foi uma descoberta espetacular, por que foi primeiro prevista pela teoria, e depois foi confirmada na prática.

Com a radiação cósmica de fundo, podemos excluir todas as teorias que não preveem um universo a 3.000K em algum momento no passado.

Proporção entre elementos simples

Se estamos prontos a assumir que o universo atingiu a temperatura de 10.000.000.000 K (dez bilhões de graus), então ele deve ter passado por uma fase geral de reações nucleares. O combustível era uma mistura de prótons e nêutrons em equilíbrio a esta temperatura. As cinzas eram principalmente deutério, os dois isótopos de hélio, e o isótopo pesado do lítio.

Os cálculos mostram que, a partir de pressupostos razoáveis sobre a densidade atual de núcleons (prótons e nêutrons) e o número de famílias de partículas elementares, podemos chegar a uma proporção em que os elementos devem aparecer nas medições. Tal proporção foi comprovada pela observação.

Esta proporção não pode ser explicada por outras teorias, somente a teoria do Big Bang.

A razão entre fótons e nucleons

Existe no universo aproximadamente 1.000 fótons para cada núcleon (próton ou nêutron), e nenhuma antimatéria. A razão disto está na física de alta energia, em como a matéria se comporta em estados de alta energia (e alta temperatura, portanto).

Antes de avançar nesta evidência, é preciso entender uma coisa: em todas as reações observadas em laboratório, um número idêntico de partículas de energia, matéria e antimatéria é criado ou destruído. Para cada fóton, há uma partícula de matéria, e outra de antimatéria. Não deveria haver esta assimetria de 1000:1:0 entre fótons, matéria e antimatéria.

A explicação é que quando a matéria está a temperaturas na ordem dos 10^27 K (10 seguido de 27 zeros), os fenômenos que acontecem geram a assimetria observada. Em outras palavras, a assimetria é prova que o universo já teve uma temperatura de 10^27 K.

Algumas objeções comuns

É importante sempre questionar a ciência e as suas conclusões, mas o questionamento tem que ser feito de forma racional e lógica. Claro que nem sempre isso acontece. Confira alguns questionamentos irracionais sobre a teoria do Big Bang:

O Big Bang é invenção de ateus para negar deus. 

Na verdade foi um padre católico, o belga Georges Lemaître quem criou a “teoria do ovo primordial”, que acabou sendo chamada de “Big Bang” por Fred Hoyle, um astrofísico ateu.

O Big Bang é só uma teoria, não é uma lei. Já vimos isto antes: uma teoria não vira lei, e as teorias da ciência não são “apenas uma teoria”, mas modelos que contam com hipóteses testáveis, fazem previsões, e têm evidências. [O que é uma teoria científica?]

Uma explosão na minha carteira não enche ela de dinheiro. O Big Bang, apesar do nome, não foi uma explosão, mas uma expansão do universo. No Big Bang, só se formaram átomos de hidrogênio e hélio, e traços de lítio. Outros átomos se formaram no núcleo de estrelas, e se espalharam quando elas explodiram.
Uma explosão não poderia criar um planeta redondinho ou a vida. Verdade. E nenhum cientista afirmou isto. O Big Bang aconteceu há 13,7 bilhões de anos, o planeta Terra se originou entre 4,5 a 5,5 bilhões de anos atrás, e a vida se originou a 3,8 bilhões de anos atrás. Três eventos diferentes, em tempos diferentes.

Não dá para acreditar nas teorias da ciência, elas estão sempre mudando. Os cientistas trabalham com evidências. Se as evidências apontarem que eles estão errados, eles vão se corrigir, seja alterando suas teorias, seja abandonando-as em favor de novas teorias. Vimos isto na história da mecânica quântica e também na história da teoria do Big Bang. Por enquanto não há motivo para afirmar que os cientistas estejam errados. 

Se o Big Bang está certo, então por que ele não explica o que o originou? Uma teoria não precisa estar completa para estar correta, basta estar correta no que afirma. Por enquanto o Big Bang, apesar de não estar completo, e não explicar de forma satisfatória o tempo de Planck (a primeira fração de segundos do Big Bang), em todo o resto está correto, dentro de uma margem de erro aceitável. 

Eu não acredito que o universo todo já foi do tamanho de um átomo ou menor. Quando o infomercial “Quem Somos Nós?” afirmou que a matéria é praticamente espaço vazio, ninguém duvidou. Tudo que a ciência faz é apontar que nas condições de temperatura e pressão do tempo de Planck estes espaços vazios diminuem até sumir. De qualquer forma, não acreditar em alguma coisa não prova que esta coisa seja falsa: isso é uma falácia lógica chamada “argumento da incredulidade”.

Nada surge do nada. Pela mecânica quântica, surge. No vácuo do espaço (o “nada absoluto” realmente não pode gerar nada) pululam partículas virtuais que surgem, e em uma fração de tempo minúscula, desaparecem.

O cientista fulano de tal provou que o Big Bang não aconteceu, com sua nova teoria. Assim como os cientistas que propõe o Big Bang podem estar errados, os que duvidam da teoria também podem. Por enquanto, a ciência amplamente apoia o Big Bang, pois há décadas de acúmulo de evidências. 

Até que os especialistas cheguem a um outro consenso, ele continua valendo. 

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Veja a mais forte explosão na história do universo


A maior explosão no Universo desde o Big Bang foi descoberta, localizada no aglomerado de galáxias Ophiuchus a milhões de anos-luz de distância de nós. O evento liberou cinco vezes mais energia do que a última explosão recordista.

A pesquisadora principal do trabalho, Simona Giacintucci, tenta colocar o tamanho da explosão em perspectiva, comparando-a com a erupção do vulcão St. Helens em 1980, que reduziu a pó o cume da montanha do estado norte-americano de Washington. “A diferença é que você poderia colocar 15 Vias Lácteas enfileiradas na cratera que esta erupção arrancou do aglomerado de galáxias”, compara.

O interessante é que este estouro aconteceu em câmera lenta, em um período de milhões de anos.

Este rombo gigantesco já havia sido observado anteriormente com telescópios de raio-X. Ele é tão grande que a primeira reação dos cientistas ao identificá-lo foi excluir imediatamente a hipótese de que ele surgiu a partir de uma explosão.

“As pessoas estavam céticas por causa do tamanho da explosão. Mas era isso mesmo. O Universo é um lugar esquisito”, diz ela.

Os pesquisadores só conseguiram comprovar que uma explosão foi a responsável por aquele buraco quando observaram a galáxia de Ophiuchus com telescópios de rádio.

A descoberta foi feita com quatro telescópios: o Observatório de raios-x Chandra da NASA, o XMM-Newton da Agência Espacial Europeia, o Murchison Widefield Array (MWA), na Austrália, e o Telescópio de Rádio Gigante Metrewave, na Índia.

A diretora do MWA, Melanie Johnston-Hollit, comparou a descoberta a quando encontramos os primeiros ossos de dinossauros. “É um pouco como arqueologia. Nós recebemos as ferramentas para cavar mais a fundo com telescópios de baixa frequência para que pudéssemos encontrar mais explosões como esta”.

Ela diz que o trabalho destaca a importância de estudar o Universo com diferentes comprimentos de onda. “Voltar lá e fazer um estudo com vários comprimentos de ondas realmente fez a diferença aqui”, diz ela.

A descoberta foi feita com 2048 antenas do MWA, e o próximo passo é repetir a observação usando 4096 antenas, o que representa um aumento de dez vezes na sensibilidade de captação de informações. [Phys.org]


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Cientistas criaram a simulação mais detalhada do universo até hoje


Simulação do violento nascimento de um aglomerado de galáxias, onde as estruturas da matéria escura (em branco) se fundem, enquanto buracos negros supermassivos e supernovas expelem o gás cósmico (o movimento do gás é mostrado em vermelho)

Como o universo se formou? Como as complexas estruturas que formam as galáxias se diversificaram?

Para tentar desvendar essas e muitas outras questões difíceis de responder, uma equipe internacional de cientistas criou o maior e mais detalhado modelo do universo até hoje: o TNG50.

A simulação tem 230 milhões de anos-luz de largura e exibe dezenas de milhares de galáxias em evolução com detalhes sem precedentes.

Além disso, é capaz de rastrear 20 bilhões de partículas de matéria escura, gases, estrelas e buracos negros em toda a história de 13,8 bilhões de anos do universo.

Enorme poder computacional

Chegar nesse ponto não foi fácil: foram necessários que 16.000 núcleos de processador do supercomputador Hazel Hen, que fica em Stuttgart, na Alemanha, funcionassem continuamente por mais de um ano.

O investimento valeu a pena, no entanto...

“Em nossa simulação, vemos fenômenos que não foram programados explicitamente no código. Esses fenômenos emergem de uma maneira natural, a partir da complexa interação dos ingredientes físicos básicos de nosso universo modelo”, disse um dos autores do estudo, Dylan Nelson, pós-doutorando do Instituto Max Planck de Astrofísica (Alemanha), em um comunicado.

Resolução e escala inimagináveis

O objetivo da TNG50 é construir uma imagem completa de como o nosso universo evoluiu desde o Big Bang, produzindo uma figura em grande escala sem “sacrificar” nossa visão de galáxias individuais.

Sua resolução e escala sem precedentes vão permitir aos pesquisadores compreender melhor o passado do nosso universo, revelando como as galáxias se desenvolveram, evoluíram e chegaram às suas atuais formas às vezes estranhas.

“Essas simulações são enormes conjuntos de dados onde podemos aprender muito dissecando e compreendendo a formação e evolução das galáxias dentro delas. O que é fundamentalmente novo na TNG50 é que você está obtendo uma resolução espacial e de massa suficientemente alta dentro das galáxias que pode fornecer uma imagem clara da aparência da estrutura interna dos sistemas à medida que se formam e evoluem”, esclareceu outro autor do estudo, Paul Torrey, professor de física da Universidade da Flórida (EUA).

Descobertas à espera

A simulação já tem dado alguns resultados interessantes. Por exemplo, os pesquisadores puderam confirmar teorias de como as galáxias emergiram a partir das nuvens turbulentas de gás presentes no início do universo.

Na TNG50, galáxias em forma de disco, comuns na nossa vizinhança galáctica, emergiram naturalmente e produziram estruturas conhecidas, como braços espirais e buracos negros supermassivos. Quando os cientistas compararam os resultados da simulação com as observações da vida real, descobriram que a população de galáxias gerada no modelo era consistente qualitativamente com a realidade.

Os pesquisadores também observaram, na simulação, explosões de supernovas e buracos negros supermassivos criarem fluxos de gás em alta velocidade. Embora eles se dirigissem para fora das galáxias, a gravidade trouxe grande parte do gás de volta aos discos galácticos, redistribuindo-o na borda externa e criando um ciclo de realimentação. Esse gás, além de mudar a estrutura da galáxia, serviu para “reciclar” os ingredientes para a formação de novas estrelas.

Como próximo passo, a equipe deve liberar os dados gerados pela simulação para que toda a comunidade científica possa estudá-los, levando a muitas mais revelações sobre o universo.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. [LiveScience]


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

A humanidade ainda está evoluindo

O Homo sapiens é muito diferente de espécies anteriores. Os seres humanos de hoje também já não são mais como os que viveram há 10 mil anos. E, provavelmente, aqueles do futuro serão diferentes de nós. Isso porque, mesmo que nem sempre percebamos, ainda estamos evoluindo.

Os hábitos e escolhas provocam mudanças no corpo humano e alterações genéticas podem levar a novos traços. Uma publicação da Inverse considera que a grande população do planeta aumenta as chances de mutações genéticas a partir das quais pode ocorrer seleção natural. Com essa percepção, a publicação apresentou três exemplos de mudanças no corpo dos seres humanos.

A temperatura corporal está diminuindo

Estamos resfriando nossa temperatura. Em 1868 a temperatura normal do corpo humano era de 37ºC, de acordo com manual publicado por médico alemão.

No entanto, de acordo com publicação de janeiro no eLife, a temperatura média corporal está mais próxima dos 36,6ºC. Para chegar a essa conclusão, foram analisados registros feitos ao longo de 157 anos.

A teoria de uma das autoras do estudo e professora de medicina na Universidade Stanford, Julie Parsonnet, é de que essa queda na temperatura média está ligada com a diminuição de casos de inflamações e melhora dos padrões de vida.

Essa mudança na temperatura corporal também representa, aparentemente, que precisamos de 150 calorias a menos por dia do que nossos antepassados, para manter as necessidades metabólicas. Mas ainda é preciso analisar melhor quais são as consequências dessa mudança.

Genes em mutação

O professor da Universidade de Princeton, Joshua Akey, também conversou com a Inverse. Para ele, os humanos não são imunes aos efeitos da seleção natural. Além de continuar enfrentando patógenos, houve grandes alterações ambientais, as quais também têm impacto, de acordo com o professor.

O exemplo de seleção positiva recente, do qual Akey mais gosta, é o FADS2. Versões diferentes desse gene se adaptam em populações com dietas mais baseadas no consumo de carne ou de vegetais. Populações com dieta estritamente vegetariana apresentaram alteração no gene FADS2, que facilita a quebra de ômega 3 e 6, de acordo com pequisa de 2016.

As mudanças na forma como vivemos também afeta o organismo quando, por exemplo, passamos do campo para a vida em cidades. Um estudo publicado em 2010, na Evolution, fala sobre a ligação entre vida urbana e doenças.

A equipe de pesquisadores analisou a frequência de um alelo ligado à resistência a tuberculose e hanseníase. A descoberta foi de que quanto mais tempo a população vive em cidades, mais fica adaptada para resistir a essas infecções. Antes da urbanização, as doenças eram mais oportunistas e crônicas, como vermes.

Ossos mais leves

Os ossos dos homens modernos são mais frágeis e menos densos. Isso pode estar ligado com o fim da vida nômade, de acordo com pesquisa de 2014. A diminuição na força dos ossos, para os autores, está mais provavelmente ligada à redução na atividade física, do que com a mudança de dieta.

Resta saber se a força dos nossos ossos irá diminuir ainda mais nos próximos anos, com a vida ainda mais sedentária. Nossa biologia continua mudando, aguardamos o que virá a seguir. 


domingo, 22 de setembro de 2019

Incrível: Memórias artificiais foram criadas com sucesso


Um novo estudo do Hospital for Sick Children (Canadá), em colaboração com a Universidade de Boston e Universidade de Harvard (EUA), conseguiu criar memórias totalmente artificiais em animais pela primeira vez.

A pesquisa é formidável e um pouco assustadora, uma vez que demonstra a possibilidade de manipular circuitos cerebrais para gerar memórias totalmente separadas de narrativas individuais e na completa ausência de uma experiência real.

Indistinguível

Os pesquisadores utilizaram engenharia reversa para obter o resultado desejado.

Primeiro, mapearam os circuitos cerebrais que formam uma memória natural. Em seguida, estimularam as células cerebrais de ratos transgênicos utilizando os padrões da memória natural.

Ao fazer isso, os cientistas efetivamente conseguiram criar uma memória artificial, que foi retida e rememorada de forma indistinguível à natural.

Os circuitos cerebrais que normalmente respondem a experiências específicas puderam ser artificialmente estimulados e ligados entre si nessa memória artificial, que por sua vez pôde ser provocada por pistas sensoriais adequadas no ambiente real.

Metodologia

No caso deste estudo, a memória natural foi a associação de um odor específico, o de flores de cerejeira, a um choque nos pés, de forma que os animais aprenderam a evitá-lo.

Para criar a associação, os pesquisadores utilizaram uma técnica sofisticada chamada de optogenética. Trata-se de proteínas sensíveis à luz usadas para estimular neurônios específicos através de fibras ópticas implantadas cirurgicamente.

Os cientistas modificaram os ratos para produzir uma proteína em nervos olfatórios sensíveis à acetofenona (o químico que dá origem ao perfume da flor de cerejeira). Ao associar o choque elétrico com a estimulação optogenética dos nervos olfatórios sensíveis à acetofenona, os pesquisadores basicamente ensinaram os animais a ligar a dor a este odor em particular.

Para imitar a dor nos ratos, os pesquisadores estimularam vias nervosas específicas que levam a uma estrutura conhecida como área tegmentar ventral (ATV), ligada à natureza aversiva do choque no pé em estudos anteriores. Um vírus levou proteínas sensíveis à luz até à ATV.

Ratos que receberam memórias artificiais dessa associação evitaram o odor de flores de cerejeira, respondendo a um cheiro que nunca haviam encontrado e fugindo de um choque que nunca haviam recebido. 

Aplicações

Os resultados têm amplas implicações sociais e éticas, afinal de contas, a memória é a fonte de toda a história pessoal de uma pessoa.

É claro, existem bons motivos para se pesquisar este tipo de coisa – indivíduos podem querer recuperar memórias perdidas em acidentes, ou aqueles sofrendo de transtorno de estresse pós-traumático podem desejar apagar certas lembranças. Isso sem contar as oportunidades de tratamento de doenças ligadas à memória, como o Alzheimer.

Além disso, por ser este o primeiro estudo a criar uma memória completamente artificial, pode ajudar os cientistas a compreender melhor como memórias se formam e podem ser manipuladas.

Nos experimentos, a estimulação elétrica de regiões cerebrais específicas também ativou outras regiões cerebrais conhecidas por estarem envolvidas na formação da memória, incluindo a amígdala basolateral. 

Ainda estamos muito longe

Todos os avanços são interessantes, mas é preciso reconhecer que os pesquisadores ainda estão muito longe de criar memórias artificiais em seres humanos.

Para começo de conversa, não somos animais transgênicos como os ratos utilizados no estudo, de forma que todos os implantes cirúrgicos e injeções viriais não serão aplicados em pessoas tão logo.

Apesar disso, existem diversos grupos de pesquisa e governos interessados na manipulação da memória humana e, conforme eles avançam em seus testes, precisaremos discutir as implicações éticas e consequências de tais abordagens.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Nature.


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Novo projeto do Google quer tornar os seres humanos imortais


Os cientistas já conseguiram inverter o envelhecimento em alguns experimentos. A imortalidade está sempre presente na mitologia, mas poderá ser realidade para nós?

A nova cartada do Google espera que sim. A mais recente empresa do conglomerado, a Calico, vai concentrar seus esforços em derrotar a morte ao se basear em recentes descobertas científicas quanto à imortalidade.

A imortalidade será realidade?

Ninguém pode realmente dizer neste momento se o sonho de viver para sempre pode realmente se tornar realidade, mas muitos afirmam que a meta está “dentro do alcance”. Na verdade, alguns cientistas que trabalham com a extensão da vida acreditam que o fim da morte poderá ser decretado daqui a apenas 20 anos. Por enquanto, porém, tudo que existe são experimentos e teorias – nada verdadeiramente aplicável em seres humanos. Além disso, houve muitas falhas também.

Entretanto, mesmo se a imortalidade e a tecnologia em saúde regenerativa com células-tronco possam se desenvolver a esse ponto, é provável que nenhum de nós seja capaz de beber dessa fonte de juventude – o Santo Graal que a humanidade tem procurado durante tantos séculos.

Se a imortalidade via ciência realmente chegar em 20 anos, como alguns especialistas afirmam, ela provavelmente estará disponível apenas para alguns sortudos. Isso vai ser bom para os fundadores da Calico, é claro. E – numa outra hipótese – caso um avanço inesperado torne a receita mágica da imortalidade disponível para todos na Terra, isso também não vai transformar nosso planeta no paraíso. Muito pelo contrário.

As potenciais consequências de um mundo sem mortes podem ser muito negativas nos dois cenários mencionados acima. Se a imortalidade e a tecnologia em saúde regenerativa estiverem disponíveis apenas para alguns, haverá uma separação dos seres humanos entre ricos semideuses imortais e o resto de nós, pobres mortais.

Se, por outro lado, o elixir da vida estiver disponível para todos, deverá ser criada uma legislação específica no sentido de proibir a reprodução para evitar a superpopulação e a consequente destruição do planeta.

Se isso acontecer, imagine as implicações de negar a nós mesmos a possibilidade de termos novas pessoas na Terra. A ideia de não termos mais outro Einstein entre nós é aterrorizante – mesmo se as pessoas inteligentes já vivas fossem capazes de desenvolver seu intelecto e construir o seu conhecimento ao longo dos séculos, em vez de apenas algumas décadas.

Por enquanto, porém, tudo isso é especulação. Resta-nos apenas acompanhar o que tem sido feito até agora e sonhar – ou ter pesadelos – sobre o que está por vir quando o assunto é imortalidade humana.